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“The Good Place” faz um bom uso de seu tempo e número de episódios reduzidos para entregar uma das melhores comédias dos últimos tempos.


Nota do Colab: esta matéria tem leves spoilers.

 

Você já parou para pensar na possibilidade de realmente existir um Paraíso e um Inferno? Se sim, você acredita que iria pra qual dos dois lugares, baseado nas suas ações até agora? Mas e se, por um “erro de processamento”, você acabasse indo para o lugar oposto daquele que você merece? Essa é a premissa de The Good Place, série do canal norte-americano NBC.

Criada por Michael Schur (responsável pelas geniais Parks & Recreation, The Office e Brooklyn Nine-Nine), a produção segue a vida de Eleanor Shellstrop (Kristen Bell), uma mulher que nunca foi boa por um momento de sua vida. Após morrer em um cômico acidente (ela é atropelada por uma fila de carrinhos de supermercado desgovernados), Eleanor descobre que existe sim um Paraíso e um Inferno. Porém, devido a um erro de processamento, ela foi mandada para o Lugar Bom, invés do Lugar Ruim. Agora, a personagem de Bell precisa continuar com a mentira e esperar que ninguém descubra que aquele não é o seu lugar.

A série é uma maravilhosa e deliciosa surpresa da Fall Season 2017/18. Com 13 episódios em sua primeira temporada, o programa acompanha as desastrosas tentativas de Eleanor em aprender a ser uma pessoa boa e merecer o seu lugar no Lugar Bom, caso um dia venham a descobrir o erro. Logo, ela encontra e conta o seu segredo para Chidi Anagonye (William Jackson Harper), um professor de Ética que não consegue tomar decisões sem antes passar um intenso brainstorm e (re)analisar cada uma de suas escolhas, sendo obrigado a aceitar o desafio de ensinar Eleanor em ser boa.

A série logo mostra uma trama mais complexa, mostrando ao telespectador que Eleanor não foi a única que teve o mesmo erro de processamento. Jianyu Li (Manny Jacinto) é um monge budista que adotou o voto de silêncio pro resto de sua vida. Mas, na verdade, Jianyu é Jason Mendoza, um DJ amador, fã do time de futebol americano Jacksonville Jaguars, dançarino e vendedor de drogas falsas. Assim como Eleanor, Jason percebeu a falha e simplesmente continuou vivendo como Jianyu, sem saber exatamente o porquê. Na trama, ele é a alma-gêmea designada de Tahani Al-Jamil (Jameela Jamil), uma poderosa e rica filantropa paquistanesa. Eventualmente, Tahani se mostra como uma típica mulher rica e privilegiada, que gosta de se gabar e enaltecer sua própria pessoa, alegando ser amiga íntima de inúmeras celebridades.

O time ainda é reforçado por Michael (Ted Danson), o arquiteto do Lugar Bom ao qual Eleanor foi designada. O ser celestial é como um grande anfitrião, apresentando o bairro para cada novo morador, assim como para todos os antigos inquilinos. Michael é acompanhado de Janet (D’Arcy Carden), uma espécie de Inteligência Artificial onipresente cujo objetivo é ser a assistente pessoal de cada pessoa vivendo no Lugar Bom, tendo conhecimento infinito de toda a informação presente no universo arquivada no seu programa.

Da esquerda para a direita, as personagens Tahani, Jason, Eleanor, Janet, Chidi e Michael

The Good Place logo estabelece que é uma das melhores, mais bem elaboradas e mais bem executadas séries dos últimos tempos. O time de roteiristas não está para brincadeiras e vai tornando a trama cada vez mais complexa, cheia de cliffhangers inteligentes (e não apenas viewer-baiters) e plot twists que mostram um quadro ainda maior do que aquele já estabelecido. A deliciosa comédia passa de forma rápida e interessante, deixando o telespectador curioso e realmente interessado no próximo Capítulo.

A série acaba se beneficiando de seu menor número de episódios, não perdendo tempo em sub-tramas que não adicionam nada à trama principal. Aqui, todos os arcos se ligam de alguma forma, e nada é deixado para escanteio. Ainda, o show conta com participações especiais de diversos rostos conhecidos, como Adam ScottDax Shepard (marido de Bell), Marc Evan JacksonJason MantzoukasMaya Rudolph (como a Juíza do Além).

“The Good Place” faz bom uso de seu talentoso elenco, dando a cada personagem espaço para se desenvolver e criar uma conexão com o público, tornando improvável que o telespectador não se apaixone por cada um deles

Embora não tenha sido nomeado em grandes premiações como o Primetime Emmy Awards, The Good Place ganhou o prêmio de Série Nova Mais Excitante (em 2016) e Melhor Ator para Ted Danson (em 2017) no Critics’ Choice Television Awards.

The Good Place teve o season finale de sua segunda temporada dia 1 de fevereiro, com uma terceira temporada já confirmada pela NBC e com uma encomenda de 13 episódios (assim como as duas primeiras). O programa foi muito bem recebido pela crítica: o primeiro ano possui 91% de aprovação no Rotten Tomatoes e 71% no Metacritic, enquanto o segundo ano leva 100% e 87% dos críticos de cada um dos sites, respectivamente. A série é distribuída mundialmente para exibição pela Netflix, estando presente no catalogo nacional com os episódios sendo lançados com um dia de atraso.


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