Até mais, Litchfield

Até Mais, Litchfield
[tempo de leitura: 5 minutos]

“Orange Is The New Black” termina o seu ciclo de uma forma emocionante, com as suas poderosas histórias de personagens femininas.


Nota da Colab: o texto contém spoilers.

 

Em 11 de julho de 2013 foi lançada a primeira temporada de Orange Is The New Black, uma das primeiras séries originais da Netflix. Baseada no livro Orange Is The New Black: My Year in a Women’s Prison, de Piper Kerman, a série tornou-se um grande sucesso, principalmente, por abordar temas polêmicos e que eram considerados tabus por parte da sociedade.

 

Laranja é o Novo Preto

A trama de Orange Is The New Black se desenvolve a partir de Piper Chapman (Taylor Schilling), condenada a cumprir 15 meses em uma prisão feminina por um crime que cometeu no passado, quando participou de um esquema de tráfico de drogas internacional motivada por sua namorada da época: Alex Vause (Laura Prepon). Dessa forma, Piper se vê obrigada a deixar sua nova vida e o seu noivo, Larry Bloom (Jason Biggs), para pagar pelo erro que cometeu.

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Apesar de Piper ter lido livros sobre como era a vida em uma penitenciária feminina, de ter estudado bastante sobre o assunto, ela não estava preparada para encarar a dura realidade em Litchfield. “Estou aqui há duas semanas. Passei fome, fui apalpada, provocada, perseguida, ameaçada e chamada de Taylor Swift”, relata Piper num episódio da primeira temporada de OITNB. Sendo assim, nas seis temporadas da série, o público tem a oportunidade de conhecer um pouco mais da vida de Piper na prisão, além de conhecer um pouco mais da vida das amigas e colegas dela e dos problemas existentes no sistema prisional.

 

O Começo do Fim

A sétima temporada de Orange Is The New Black estreou em 26 de julho deste ano e seus acontecimentos se passam pouco tempo após o final da sexta temporada. Agora, Piper saiu da prisão e está lutando para poder reestruturar sua vida, além de ter que lidar com as complicações de estar em um relacionamento à distância.

Enquanto isso, dentro da penitenciária feminina, as coisas parecem continuar as mesmas de sempre. O tráfico de droga continua ocorrendo, alguns guardas continuam com seus comportamentos abusivos perante as detentas e Daya (Dascha Polanco) continua agindo e intimidando algumas mulheres junto de sua “gangue”. Ou seja: nada muito fora do comum. É diante desse cenário que Alex está se esforçando para conseguir andar na linha, sem ganhar nenhuma detenção ou aumentar ainda mais sua pena – tudo pensado no seu “casamento” com Piper e a possibilidade delas ficarem juntas algum dia. Porém, se tratando de Alex e Piper, as coisas nunca são fáceis.

Além disso, Red (Kate Mulgrew) começa a perceber o peso de sua idade e de como isso está afetando sua vida e prejudicando em alguns sentidos. Lorna (Yael Stone), que sempre alimentou diversas obsessões, chegou ao ponto extremo de criar uma narrativa para seu filho que morreu. Por sua vez, Nicky (Natasha Lyonne) se desdobra para conseguir ajudar suas amigas, Red e Lorna, tentando impedir que elas se separem. É possível observar uma inversão de papéis: antigamente Red era como uma “mãe” para elas, sempre fazendo o possível para ajudar suas garotas, agora esse posto acaba indo para Nicky.

 

Crítica Social

Ao longo de todos os anos, Orange Is The New Black sempre apresentou diversas críticas sociais e isso não foi diferente nesta nova temporada. Na sétima temporada, são tratado temas relativos à assédio sexual, tráfico de drogas e a deportação dos imigrantes.

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Entre todos esses temas apresentados, o que mais causa polêmica é a deportação dos imigrantes. Na sétima temporada, os agentes do ICE (Imigração e Controle Alfandegário dos EUA, em português) estão presente e as políticas imigratórias adotadas por eles são bem cruéis. Blanca (Laura Gómez), Maritza (Diane Guerrero) e Karla (Karina Arroyave) fazem o possível para conseguirem ajuda de alguém, uma vez que a situação no ICE é mais precária e desumana do que na penitenciária.

A situação envolvendo os imigrantes ilegais é, claramente, uma crítica à Donald Trump, o atual presidente dos Estados Unidos, e à política imigratória adotada por ele. Com o objetivo de ser reeleito nas eleições de 2020, Trump está intensificando as ações do ICE para retirar os imigrantes ilegais dos EUA, como forma de cumprir sua promessa de campanha e agradar seu eleitorado.

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Outro assunto amplamente discutido na sétima temporada de Orange Is The New Black, é o assédio sexual. Dessa vez, quem sofre com as consequências disso é Joe Caputo (Nick Sandow), que já apresentou um comportamento inadequado em temporadas passadas. Tudo acontece quando Susan Fischer (Lauren Lapkus), uma guarda que já trabalhou em Litchfield, expõe na internet, através da famosa hashtag #MeToo, que já sofreu assédio no ambiente de trabalho. Mesmo não citando o nome de Caputo, fica claro que ela estava se referindo a ele e a suas ações. Dessa forma, ele acaba sofrendo as consequências dessa denúncia e passa a compreender melhor os seus erros.

 

Ainda Há Esperança

Em dado momento da sétima temporada, Suzane (Uzo Aduba), também conhecida como Crazy Eyes, começa a se questionar se ela deveria estar ali. Na concepção de sua mãe, a resposta é não. A mulher acredita que Suzane deveria estar em uma instituição que soubesse lidar melhor com sua diferença cognitiva – porém, quem decide isso é o juiz. Esse questionamento acaba causando uma série de reflexões: será que todas elas mereciam estar ali? Como tornar a penitenciária um local mais humanizado para as detentas? Ou como fazer para que essas mulheres não voltem a cometer crimes? Por mais que todas ali tenham cometido algum crime, elas ainda são seres humanos e merecem ser tratadas com dignidade.

É com essa ideia em mente, de impedir que as ex-detentas voltem para a cadeia, que Taystee (Danielle Brooks) resolve dar aulas de “educação financeira” e criar um fundo financeiro para ajudar as detentas recém-libertadas a estabilizar sua vida. É aqui que acaba surgindo o Poussey Washington Found, em homenagem a Poussey Washington (Samira Wiley), a melhor amiga de Taystee que morreu devido um acidente causado pela falha do sistema penitenciário.

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E é com esse clima de esperança que a produção termina. Por mais que muitas perguntas tenham sido deixadas em aberto, assim como o destino de várias personagens, a série conseguiu finalizar seu ciclo de uma forma bastante emocionante. Orange Is The New Black vai ser lembrada para sempre por ter sido um dos principais carros-chefes da Netflix, assim como a história de cada personagem vai ser lembrada por cada fã. Como Alex Vause diria: “Eu penso que quando você tem uma conexão com alguém, isso nunca realmente acaba, entende?”

bruna curi

tem 20 anos, é estudante de Jornalismo, mineira, capricorniana e blogueira nas horas vagas. apaixonada por Livros, Filmes e Séries. gosta de escrever, é uma de suas maiores paixões.

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