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Destaque: Girlboss
Baseada em um livro, "Girlboss" chegou à Netflix em 2017, apresentando a história da girlboss Sophia, "a anti-heroína que amamos odiar".

Baseada em um livro, “Girlboss” chegou à Netflix em 2017, apresentando a história da girlboss Sophia, “a anti-heroína que amamos odiar”.


UUm dos mais polêmicos lançamentos desse ano, produzida e distribuída pela Netflix, a série Girlboss estreou com sua temporada completa no dia 21 de abril na plataforma de streaming. Adaptação do livro-biografia de Sophia Amoruso, fundadora e CEO da marca de roupas norte-americana NastyGal, a série conta a história de Sophia (Britt Robertson), uma garota desajustada que descobre a paixão pelo mundo da moda, se tornando uma empreendedora no processo. À medida que seu negócio cresce, ela tem que aprender como lidar sendo também dona de sua própria vida.

Criada por Kay Cannon, roteirista americana que já trabalhou em filmes de sucesso entre o público jovem como a A Escolha Perfeita (2012) e Como Ser Solteira (2016), a série traz a participação de grandes personalidades como RuPaul, criador do reality show de sucesso RuPaul’s Drag Race, que interpreta o vizinho e amigo de Sophia, e a produção da atriz norte-americana e girlboss da vida real, Charlize Theron.

 

A Série

Girlboss apresenta Sophia, uma protagonista de gênio forte e difícil de lidar, que desde cedo nunca se identificou com as meninas do colégio ou modelos das revistas. A personagem tem sua própria personalidade, modo de vestir e seu próprio jeito de lidar com as situações cotidianas da vida, desrespeitando qualquer regra para conseguir o que quer.

Pôster de "Girlboss"
Pôster de “Girlboss”

Sophia passa longe da imagem da garota perfeita de Hollywood, a famosa Manic Pixie Dream Girl, termo adotado para descrever personagens femininas misteriosas que surgem na trama para ajudar o protagonista a resolver algo e, geralmente, são excêntricas e “belas, recatadas e do lar”, mas com um ar de rebeldia. Em Girlboss, a personagem principal exprime em suas ações vontade que toda garota, com suas minirrevoluções diárias, já sonhou em fazer, como, por exemplo, se vestir do jeito que bem entender, fazer uma roadtrip com sua melhor amiga, falar o que tiver vontade sem se preocupar com as consequências e ter um namorado que faz parte de uma banda – e não ser definida por isso.

Sophia consegue, com maestria e um pouco de sorte, fundar seu próprio negócio e lidar com sua vida pessoal – na medida do possível. Porém, para passar por tudo isso, ela utiliza de meios que, muitas vezes, não ajudam na construção da personagem.

Entre uma fala e outra, a arrogância de Sophia se mostra um dos principais defeitos da personagem que, sendo inspirada na vida real da mulher, não traz boas esperanças para os discursos em prol de “eu não sou mandona, eu que mando”. Girlboss busca vender uma imagem perfeita da mulher #girlpower, que não admite os obstáculos que encontra em seu caminho e luta para ultrapassá-los, mas acabou criando uma anti-heroína desonesta e egoísta, que não agrada a todos e, principalmente, às mulheres.

Cada “não” que Sofia escuta, cada porta batida em sua cara, serve de combustível para sua raiva contra tudo e todos. Ao invés de superar as derrotas e lutar a próxima luta, de maneira justa, a jovem culpa os “nãos” e as portas por seus erros, faz birra para conseguir o que quer e maltrata quem sempre esteve ao seu lado – tudo por uma peça de roupa que a faria ganhar mais dinheiro e popularidade em seu perfil de vendas no eBay.

Imagem promocional de "Girlboss"
Imagem promocional de “Girlboss”

Os pontos positivos estão depositados na direção de arte, na fotografia, na trilha sonora e no figurino de Girlboss. A produção faz uma releitura dos anos 2000, com uma pegada nos anos 1980, brinca com o colorido, batidas marcantes, calças boca de sino e coletes de pelo. É impossível, por exemplo, não querer voltar no tempo e adquirir um dos achados de Sophia, enquanto dança ao som do último álbum da banda Yeah Yeah Yeahs e tenta destruir o patriarcado.

Mas fica difícil acreditar que, em pleno século 21, ainda temos que viver em mundo no qual uma girlboss, popular, rica, sucedida, ou não, seja retratada como uma menina fútil, egoísta e mesquinha.


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