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O drama da redenção

[tempo de leitura: 5 minutos]

Entre inconsistências narrativas e o bom impacto visual e dramático, a segunda temporada de “Euphoria” acresce ao falar de redenção.


A“Acho importante continuarmos a amá-la”, diz Zendaya sobre Rue em Euphoria. Foram oito semanas de muita tensão e aperto no peito para os fãs de Euphoria. A série, protagonizada por Rue (Zendaya), tem temática de drogas, sexo, insegurança, relacionamento, amizade, sexualidade e medos, retratados por alunos do Ensino Médio. A segunda temporada foi lançada semanalmente e acompanhou o declínio da protagonista

O retorno às aulas após o recesso de fim de ano faz Rue encarar a separação dolorosa com Jules (Hunter Schafer) e as expectativas sobre um relacionamento. Ao mesmo tempo, tenta administrar seu vício para que ninguém perceba sua recaída.

Em seu perfil do Instagram, a atriz publicou uma carta destinada ao público, dizendo:

“Acho que nesta série, especificamente nesta temporada, [Rue] atinge o fundo do poço. Minha esperança é que as pessoas que estão assistindo ainda a vejam como uma pessoa digna de seu amor. E digna de seu tempo, e que ela ainda tem qualidade redentora, e que ainda vejamos o bem nela, mesmo que ela não consiga ver em si própria. Acho que, se as pessoas puderem acompanhá-la por isso e chegarem ao fim, e ainda tiverem esperança em seu futuro, e a virem fazer as mudanças e dar os passos para curá-la e humanizá-la através de sua jornada de sobriedade e seu vício, então talvez poderão expandir isso para as pessoas na vida real. Eu me preocupo profundamente com ela e também com as pessoas que se preocupam com ela, porque acho que muitas delas compartilham sua história de vício e sobriedade, e muitas delas compartilham muitos de seus distúrbios emocionais, e acho importante continuarmos a amá-la”.

Em determinado momento da série, a protagonista chega ao seu pior momento e tem uma discussão intensa com a mãe (Nika King) e a irmã Gia (Storm Reid). Ainda que a atuação de Zendaya já fosse elogiada, a performance não deixou dúvidas sobre sua entrega ao papel e capacidade de causar profunda emoção ao público. É impossível assistir e não se comover com a dor dela e das que estão ao seu redor.

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Paralelamente às questões de Rue, as irmãs Cassie (Sydney Sweeney) e Lexie (Maude Apatow) têm destaque. Cassie passa a se relacionar em segredo com Nate (Jacob Elordi) ex-namorado de sua melhor amiga Maddy (Alexa Demie). A personagem se divide entre momentos de baixa autoestima e grande autoconfiança. É difícil ter empatia por Cassie. É nítido o quão manipulável e volúvel ela é ao amante e como ele performa abuso e agressividade contra as mulheres ao seu redor. Porém, não tem como defender uma pessoa que trai a amiga dessa maneira. Honestamente, não acredito que ninguém esteja tentando argumentar a favor de Cassie, mas acredito que seja importante discutir a dualidade e seu lugar de vítima em algumas circunstâncias.

Lexie, por outro lado, que recebia pouco destaque, ganhou holofotes nesta nova temporada de Euphoria – literalmente. Cansada de estar sempre sendo deixada de lado, ela resolve escrever uma peça falando sobre todos ao seu redor. Por ser extremamente observadora, ela consegue perceber certos comportamentos e até segredos das pessoas, e decide expor esses retratos para o mundo. Ainda que tenha um teor cômico, Lexie faz alguns desabafos, principalmente sobre as dificuldades em ser amiga de Rue.

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A temporada também contou a história de Fezco (Angus Cloud) e Ashtray (Javon “Wanna” Walton) e como chegaram onde estão atualmente. O passado dos dois ainda era um enigma, mas a série conseguiu construir bem suas histórias e dar ainda mais intimidade ao público.

Por outro lado, Kat (Barbie Ferreira) é praticamente irrelevante na temporada e Chris McKay (Algee Smith) aparece apenas no primeiro episódio. Não sei porque foram deixados de lado ou se por agora não foi possível acrescentar à história, mas acho que eles merecem desenvolvimento na próxima, que felizmente já foi confirmada.

Nem todas as perguntas de Euphoria foram ou são respondidas e alguns assuntos não recebem continuidade, porém, um detalhe bem importante: tudo é narrado por Rue. Ela não é uma pessoa confiável e passa por muitos altos e baixos. Algumas questões não podem ser solucionadas ou explicadas por agora. Acredito ser importante salientar isso para compreender o ritmo da série e como as situações avançam.

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Um ponto bem interessante sobre a segunda temporada foi uma abordagem diferente do sexo. Na anterior falou-se bastante sobre o poder da pornografia em deturpar o que considera-se prazer. Também discutiu sobre o domínio e a descoberta da própria força, que muitas vezes pode estar ligada aos relacionamentos sexuais.

Agora foi revelada uma nova face: pessoas pouco – ou nada – sexuais. Rue admite que não consegue sentir prazer, talvez porque tenha tido sensações muito fortes com as drogas e o sexo não consegue despertar intensidade. Jules, sua namorada, por outro lado, é uma pessoa muito sexual. Esse ponto não foi tão trabalhado ao longo da temporada, provavelmente pois haviam situações mais urgentes para abordar, mas acredito que seria interessante explorar a questão na próxima.

Euphoria, dirigida por Sam Levinson, é uma série muito dolorosa. É triste ver o ponto em que a protagonista chega, a dor que sente e como as pessoas ao seu redor são afetadas. Antes do lançamento, Zendaya já alertou que era um programa para adultos e que poderia ser forte demais para algumas pessoas.

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Rue é uma personagem importante. Ela erra, tem momentos complicados e diz coisas cruéis. Mas também admite que ninguém deve ser julgado por uma escolha ruim. Ela mostra que é necessário acolher essas pessoas e tentar ajudar, e ainda compreender que não podemos salvar alguém e a redenção vai muito além dos que estão ao redor.

A segunda temporada de Euphoria retrata, principalmente, redenção e novas oportunidades. Mostra que todos têm chance de fazer algo novo, porém nem sempre querem. Aguardo a terceira com o coração na mão pelo que pode vir.

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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