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O Fim De Once Upon A Time

O fim de Once Upon A Time

Nota do editor: o texto contém spoilers. O subtítulo “Segunda Chance” é escrito por vics.


Os contos de fadas sempre estiveram presentes na infância de muitas crianças, fascinando muitas pessoas. Então você já imaginou como seria se todas essas histórias tivessem algum tipo de ligação? Como seriam esses personagens na realidade atual? É nessa premissa que se baseia a série Once Upon A Time, que foi ao ar pela primeira vez em 2011 no canal da ABC (e exibida pelo canal Sony aqui no Brasil).

Inicialmente, a série girava em torno da protagonista Emma Swan (Jennifer Morrison), uma detetive particular que já se envolveu em diversos problemas no passado e que, por isso, prefere viver sozinha. Entretanto, ela recebe uma visita inesperada no dia de seu aniversário. Trata-se de um garoto chamado Henry Mills (Jared S. Gilmore), que afirma ser seu filho biológico e diz que ela é a única pessoa capaz de quebrar a maldição de Storybrooke.

Para provar à Emma que os contos de fadas são verdade e estão presos sob uma maldição em Storybrooke, Henry usa como prova um livro que reune todoas as histórias e mostra fotos de seus personagens

Localizada no Maine, Storybrooke pode ser considerada uma cidadezinha como qualquer outra, mas seus moradores compartilham de um sentimento inconsciente: nenhum deles tem vontade de ultrapassar as fronteiras da cidade. Ainda, nenhum deles consegue estabelecer seus respectivos passados e o tempo parece não passar, como se tudo permanecesse igual por 28 anos.

Henry acredita que os personagens dos contos de fadas estão sendo mantidos presos em Storybrooke devido uma maldição e que por isso eles não se lembram de nada do passado. O garoto até mesmo chega a relacionar alguns moradores com os respectivos personagens de contos de fadas, como, por exemplo, a professora da escola local, Mary Margaret Blanchard (Ginnifer Goddwin), ser a Branca de Neve.

Em um primeiro momento, Emma não acredita nas palavras de Henry e considera tudo o fruto da imaginação do jovem, mas decide dar uma chance ao menino após chegar a Storybrooke e notar algumas coisas bem estranhas na cidade. Não se trata apenas de ajudar o garoto a quebrar a maldição que assola a cidade e seus moradores, mas também é a oportunidade para que a Emma se aproxime de seu filho que tinha colocado para adoção há anos.

Durante muito tempo, Regina Mills se apresenta pelo manto de Rainha Má, com um ar de superioridade, as melhores roupas e uma sede de vingança para com Branca de Neve e sua família

A primeira temporada de Once Upon A Time focou basicamente em Emma tentando quebrar a maldição, tentar descobrir a verdadeira identidade dos moradores de Storybrooke e na rixa com a prefeita da cidade e mãe adotiva de HenryRegina Mills (Lana Parrilla), a Rainha Má, que faz o possível para evitar a aproximação de seu filho com Emma e impedi-la de quebrar a maldição.

As temporadas seguintes trabalharam ainda mais a relação do mundo encantado, introduzindo novos personagens como o Capitão Gancho/Killian Jones (Colin O’Donoghue), Mulan (Jamie Chung) e até mesmo Aurora (Sarah Bolger), a Bela Adormecida. É interessante observar como os contos de fadas se relacionam uns com os outros, sempre existindo um laço de ligação. Um exemplo disso é o personagem Sr. Gold (Robert Carlyle), que no mundo encantado é conhecido por ser o Rumplestiltskin, a fera da história da Bela e a Fera, o crocodilo que comeu uma das mãos do Capitão Gancho e ainda é filho de Malcolm/Peter Pan (Robbie Kay).

A série ainda trabalha, em vários momentos, com a ideia de que não existe ninguém 100% malvado; há bondade no coração das pessoas e elas só precisam de oportunidades e situações para demonstrar isso. A existência de luz e escuridão dentro de si é mostrado, por exemplo, na evolução do Capitão Gancho, que entrou na série como um vilão e progressivamente foi entrando para o time dos heróis. Mas a evolução mais notável desse meio é de Regina Millls: a personagem começou como a Rainha Má, autora da maldição que dá o pontapé na série, e aos poucos foi sendo mais humanizada, com o seu amor por Henry sendo o nó que carrega sua luz. Se no começo Regina arranca corações e distribui maçãs envenenadas, no final ela luta contra os bandidos e vira a salvadora dos Reinos.

Os Charmings (Príncipe Encantado, Branca de Neve e Emma Swan) ao lado de Regina, que já integra o grupo dos heróis

Em fevereiro de 2018, a ABC anunciou o cancelamento de Once Upon A Time. A série, que havia finalizado seu arco principal com o season finale da sexta temporada, acabou sendo renovada para a sétima, exigindo que os roteiristas dessem uma espécie de reboot no programa, que já tinha Ginnifer Goodwin, Jennifer Morrison, Josh Dallas (o Príncipe Charmoso) e Jared Gilmore fora de seu elenco de protagonistas. Once, no entanto, foi colocada para exibição na sexta-feira (horário considerado “morto” na grade norte-americana), onde não conseguiu se sustentar, acabando por ser tirada do ar (com um final).

Quando ouvimos a proposta de Adam [Horowitz] e Eddy [Kitsis] para Once Upon a Time, sabíamos que era algo incrivelmente especial. Por sete anos, eles nos cativaram com a criatividade e a paixão enquanto reimaginavam alguns dos nossos contos de fadas favoritos. Dizer adeus será agridoce, mas Once Upon a Time será eternamente um legado da ABC e mal podemos esperar para que os fãs se juntem a nós para este capítulo final épico.

Channing Dungey, presidente da ABC

 

Segunda Chance

Contos de fadas são famosas por diversos motivos, além de facilmente reconhecidas pelo seu início (“Era uma vez…“) e o seu desfecho (“E viveram felizes para sempre…“). Once Upon a Time, que carrega o “Era uma Vez” em seu título, teve a oportunidade de ter não um, mas dois finais felizes. O primeiro veio com o final da sexta temporada, que fecha o arco principal, quando os nossos protagonistas conseguem derrotar o mal e finalmente sentam-se juntos à mesa para comemorar o desfecho de sua longa jornada de seis anos. Um final, diga-se de passagem, mais do que satisfatório e merecido se não fosse sua renovação.

Tentando desbravar um novo lado da história, a sétima temporada da série trouxe uma espécie de reboot, trazendo antigos personagens e apresentando novos. Assim, conhecemos uma versão adulta de Henry (Andrew J. West), autor de livros que colocam os contos de fadas acontecendo numa pequena cidade esquecida do Maine chamada Storybrooke. É ao atender a porta para Lucy (Alison Fernandez) que o jovem descobre que a criança acredita que ele é seu pai, preso em uma maldição igual a de sua família, anos atrás. E assim como foi com sua mãe no início da série, Henry não acredita muito na garota, mas está disposto a fazê-la retornar para casa e dar um ponto final à esta história.

Da esquerda para a direita, os personagens principais da sétima temporada: Cinderela/Jacinda, Henry, Regina/Roni, Tiana/Sabine e Nook/Rogers

Assim, somos apresentados aos novos rostos como Jacinda (Dania Ramirez; uma versão repaginada da Cinderela, que é casada com Henry e mãe de Lucy), Sabine (Mekia Cox; a Princesa Tiana), Tilly (Rose Reynolds; a Alice), e Victoria Belfrey (Gabrielle Anwar; a Lady Tremaine, madrasta de Cinderela). Ao mesmo tempo, rostos antigos entram na narrativa, como Regina Mills, que agora é a dona do bar Roni’s, e o Capitão Gancho, que assume o posto do detetive Rogers.

É fácil perceber que, nesta aventura, muito da narrativa é emprestada de seus seis anos anteriores, com algumas incrementadas e plot twist. Na sétima temporada, a grande vilã (Victoria Belfrey) é apenas uma marionete de outra vilã (Ivy Belfrey, sua filha, que é interpretada por Adelaide Kane), que por sua vez não é tão vilã assim, mas também está sendo manipulada por quem é realmente a vilã do novo ciclo, Eloise Gardner (Emma Booth), que na versão contos de fadas é conhecida como Mamãe Gothel (personagem da animação Enrolados), rapidamente como Rapunzel e também Mãe Natureza.

A última temporada peca, no entanto, ao trazer uma Cinderela que pouco cativa e acaba tornando-se enjoativa logo nos primeiros episódios. Não é preciso muita pesquisa para ver que os telespectadores pouco tem interesse por Jacinda, ou até mesmo sua filha, Lucy. Personagens mais secundários, como Sabine/Tiana e Tilly/Alice se tornam mais chamativas ao olhos, e possuem arcos narrativos mais interessantes. Alice, por exemplo, não só parece sofrer de doenças mentais na sua versão sem magia, mas também forma o primeiro casal LGBTQ+ da série ao se envolver com Margot/Robin (Tiera Skovbye), filha de Kelly/Zelena/Bruxa Má do Oeste (Rebecca Mader) com Robin Hood (Sean Maguire).

Em destaque, Alice, que viajou para muitos outros lugares além do País das Maravilhas. Ao fundo, Robin, tão excelente no arco-e-flecha quanto o seu pai

Por mais que seja interessante ver alguns novos personagens e até mesmo um Henry adulto (que chega a ser mais interessante que o resto de sua nova família), o grande trunfo do sétimo ano ainda reside em seus personagens antigos. É animador, por exemplo, descobrir que o Capitão Gancho, cara-metade de Emma Swan, não é o Killian que conhecemos, mas mas sim uma versão do Reino dos Pedidos. No arco, Nook (“Novo Hook“) foi enganado pela vilã Gothel, que o fez apaixonar-se por ela apenas para engravidar-lhe e passar a maldição da vilã para o fruto dessa relação, a jovem Alice. Arco este muito parecido com o da Bruxa Má do Oeste, que também retorna para o encanto dos fãs. Mesmo que rapidamente como Kelly, Zelena continua dona de personalidade forte e imbatível, além de trazer uma incrível química com sua meia-irmã Regina, formando assim a melhor dupla que a sétima temporada poderia criar.

Mas, sem sombra de dúvidas, quem continua ganhando o coração dos Oncers (nome dado aos fãs da série) é Roni/Regina. A Rainha Má já rouba a cena desde de sua primeira aparição e é a personagem com o maior desenvolvimento da série, saindo de seu status de vilã para ser uma das heroínas e fazer parte da família Charming (Branca, Príncipe, Henry e Emma), angariando uma legião de admiradores ao longo de todo o seu tempo na série. Mesmo como Roni, sua personagem continua sendo uma mulher destemida e que nunca se curva à ninguém, defendendo aqueles que não podem se defender e recusando-se à ser rebaixada por aqueles que se acham melhor que ela.

Eventualmente, Roni é a primeira a sair do encanto da maldição, relembrando sua identidade como Regina Mills e toda sua história de mãe-e-filho ao lado de Henry. Não é pra menos, que ao final, o “beijo de amor verdadeiro” que quebra a grande maldição não é de Henry com Jacinda, mas sim de Regina com Henry. Sem contar, é claro, que nos últimos minutos do último episódio é ela quem consegue reunir todos os reinos em um só, sendo conhecido como United Realms (Reinos Unidos, em tradução livre). Assim, os Charming retornam à Storybrooke para participar da coroação de Regina, a Rainha Boa, como a primeira governanta eleita do local, dando um felizes para sempre uma segunda chance aos nossos personagens.

Isso não é um final. Eu odeio finais. Porque então a sua história está terminada. E todos aqui, bem, suas histórias estão longe de acabar. Eu gosto de chamar… uma segunda chance. Eu pensei que a minha história tinha chegado ao fim, há muito tempo. E então novas pessoas entraram na minha vida; pessoas que me deram uma segunda chance. Eu mal posso esperar pra ver o que vem pra frente. Para todos, na verdade. Eu me recuso a acreditar que não haverá mais aventuras… mais amor… mais família. E sim, haverá mais perdas… porque isso é uma parte da vida. E no final, nós podemos superar tudo, com esperança.

– Regina Mills; Once Upon a Time, S07E22: “Leaving Storybrooke”


bruna curi

tem 20 anos, é estudante de Jornalismo, mineira, capricorniana e blogueira nas horas vagas. apaixonada por Livros, Filmes e Séries. gosta de escrever, é uma de suas maiores paixões.

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