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Não é Um Sonho, Stranger Things Está Realmente De Volta

Não é um sonho, Stranger Things está realmente de volta

Na temporada de estreia, Stranger Things (2016) pegou o público de surpresa. A Netflix não fez muito alarde com a produção e ninguém estava esperando muito, mas o sucesso e a popularidade nas redes vieram muito rápido. As referências aos clássicos dos anos 80 conquistaram o público dos jovens adultos, também fisgando públicos mais novos, mostrando que sua narrativa é tão poderosa quanto a nostalgia.

A Netflix entendeu o recado e fez bem diferente no lançamento da continuação. Stranger Things 2 chegou bem a tempo do Halloween, na sexta-feira, 27 de outubro. E veio acompanhada de muita expectativa, em um marketing que envolvia trailers, teasers e posters inspirados em filmes dos anos 80.

Parece que os produtores estiveram atentos ao feedback dos fãs, sabendo investir pontualmente no que agradou a audiência na estreia da série. A segunda temporada traz justas respostas às pontas soltas que ficaram da primeira, investindo menos em cenas de ação e mais nos diálogos e nas jornadas pessoais dos personagens mais queridos pela audiência.

Will Byers (Noah Schnapp) está de volta à suposta segurança de Hawkins, mas tem visões cada vez mais recorrentes do mundo Upside Down. Os meninos já não estão mais na onda do jogo Dungeons & Dragons, agora que a moda é a novidade do fliperama.

Em uma analogia com o jogo deixado para trás, fica claro nesta temporada que o Upside Down não é imaginação e nem sonho, é uma realidade. O xerife Hopper (David Harbour) e Joyce (Winona Ryder), mãe de Will, são os primeiros adultos a acreditarem no perigo real. O Laboratório está sob nova direção. O Demogorgon foi derrotado, mas temos um monstro maior desta vez.

Agora que Will voltou, recebe muito mais destaque nos episódios e Noah Schnapp tem a chance de se provar tão bom ator quanto seus pequenos colegas de elenco. O que não se pôde ver de seu talento na primeira temporada, fica bem claro na segunda. Enquanto isso, o queridinho Dustin (Gaten Matarazzo), que roubou a cena na primeira temporada, ganha mais protagonismo nos novos episódios. Stranger Things 2 foca nos traumas emocionais que ficaram dos acontecimentos passados. Por isso, Mike (Finn Wolfhard), que sente muita falta de Eleven (Millie Bobby Brown), também ganha mais cenas de destaque.

O grupo das crianças é responsável pelas cenas e diálogos divertidos que se equilibram com os momentos tensos e sombrios, fazendo com que a série tenha um bom ritmo para se assistir. É uma estrutura semelhante ao que se viu na primeira temporada, com os primeiros episódios mais lentos e os últimos mais acelerados, mas agora apostando menos cenas de ação e aprofundando na construção dos personagens.

Eleven é o maior exemplo. Os teasers da segunda temporada deixaram claro que ela estaria de volta, assim como os Eggos. Millie Bobby Brown, a atriz de apenas 13 anos, se supera em uma atuação cada vez mais impressionante. Sem spoilers, vale dizer que a menina passa por uma jornada pessoal, solitária e difícil, mas fundamental para seu amadurecimento. Uma jornada cheia de visões e flashbacks brincando com o espaço e o tempo. Os novos episódios abordam temas mais delicados, íntimos e emocionalmente carregados do passado dela.

Max (Sadie Sink), a ruivinha que acaba de se mudar para Hawkins e se junta ao grupo dos meninos, também tem uma família conturbada. É outro momento em que vemos que a série amadureceu, superando a fantasia e tratando de assuntos mais sérios e reais. Assim como Eleven, Joyce e Nancy (Natalia Dyer), Max exala girl power. A menina anda de skate, supera os meninos nos videogames e questiona os amigos imediatamente quando acha que eles estão a deixando de fora por ser menina. O time de personagens femininas de Stranger Things subverte muito bem os papéis tradicionais dos gêneros na TV, seja pelo visual ou pela atitude.

A ambientação da série em uma Hawkins dos anos 80 está ainda mais caprichada que na primeira temporada. Mais uma vez, os produtores souberam investir no que mais agradou os fãs. A fotografia, as cores e a luz são dignos de cinema, assim como os cortes inteligentes entre as cenas. Stranger Things 2 dá um show de montagem. O roteiro da segunda temporada se mostra tão bom quanto o da primeira, mas a direção de arte se mostrou ainda melhor. Isso tudo potencializa a imersão e prende a atenção do espectador.

Além disso, cada episódio termina com um cliffhanger irresistível. Para quem gosta de assistir a série aos poucos, sem maratona de final de semana, vencer a curiosidade será um desafio. Alguns episódios de destacam mais do que outros, mas todos acrescentam à história e, com certeza, valem a pena.

Hawkins tem muito a ser revelado nesta temporada, e até mesmo o segredo de Steve Harrington (Joe Keery) para ter um cabelo que faz tanto sucesso vem à tona. Quem está preocupado com o esquecimento de Barb também pode esperar por respostas. Outro núcleo que traz novidades é o triângulo amoroso de Nancy, Steve e Jonathan (Charlie Heaton).

Stranger Things 2 é um investimento pesado da Netflix que não prejudica em nada o sucesso da primeira temporada. Pelo contrário: é uma evolução em muitos aspectos e dá continuidade à história de uma forma honesta, interessante e pronta para atender as expectativas dos fãs, da primeira à última cena.


marina moregula

estudante de Jornalismo de 20 anos. aquariana, feminista, curiosa, distraída e apaixonada por contar histórias.

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