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Achou Que A Gente Não Ia Falar De Choque De Cultura?

Achou que a gente não ia falar de Choque de Cultura?

Fazer humor no Brasil pode parecer tarefa fácil para muita gente. Afinal, a quantidade de memes e virais orgânicos no país é imensa, sendo muitas das vezes sem explicação alguma. Mas humor de qualidade com alcances altíssimos são para poucos. Podemos citar os pioneiros Hermes e Renato, e também o gigante Portas dos Fundos, mas nenhum deles chega aos pés de Choque de Cultura. Falo com tranquilidade.

Por mais ridículo que pareça, o Choque de Cultura consiste em quatro motoristas de vans ilegais do Rio de Janeiro comentando absurdos sobre clássicos do cinema (e apenas cinema, porque ambiente de música é ambiente de droga). Cada um com sua peculiaridade, os quatro personagens compõem o grupo de motoristas que analisam trailers de filmes, tanto atuais, como o indicado ao Oscar O Rei do Show, quanto o clássico 2001: Uma Odisseia no Espaço. Por se tratarem de motoristas pilotos de vans da cidade do Rio de Janeiro, é frequente ouvirmos piadas e comentários relacionados a carros, trânsito e velocidade, assim como elogios à “melhor franquia de todos os tempos”, que, segundo eles, se trata de Velozes e Furiosos.

Na pele de Rogerinho, Maurílio, Julinho e Renan, vivem os humoristas Caito Mainier, Raul Chequer, Leandro Ramos e Daniel Furlan, respectivamente. Dos quatro citados, apenas Chequer e Furlan são atores de formação e experiência, o que faz com que os fãs considerem seus personagens um pouco mais característicos do que os outros. Todos os quatro responsáveis pelo programa são profissionais de competência incrível, e dizem que puxaram inspiração de pessoas próximas para a criação de cada personagem. Maurílio, por exemplo, o “teclinha SAP” que alegra o Brasil com suas explicações técnicas sobre a sétima arte, foi inspirado no irmão de Raul Chequer, seu intérprete. O estilo rápido de falar e a língua presa de Renan (Daniel Furlan) vêm de um vendedor de mate da praia do Rio, e Julinho da Van, garante Leandro Ramos, é praticamente uma cópia do pai do ator.

O quarteto do programa em cena, da esquerda para direita: Rogerinho, Maurilio, Julinho e Renan

O humor diferenciado do quarteto de Choque de Cultura faz sucesso devido o talento que eles têm para isso. Além dos comentários non sense, é possível encontrar também algumas beliscadas disfarçadas na política e também na vida real. Ian SBF, um dos criadores do canal Porta dos Fundos, comenta: “O humor precisa trazer algo da vida de quem assiste”. Além de Ian, Antonio Tabet (Kibeloco e Porta dos Fundos) já confessou: “esses caras são hilários!”. E Bruno Sutter, percursor de Hermes & Renato, também comenta sobre o grupo: “Eles juntaram dois mundos, né? Como água e óleo. Cinema e motoristas de van. Em premiações como o Oscar, vemos entendidos de cinema. Mas qualquer um pode falar sobre isso. Esse é o segredo”.

Por mais absurdo e esdrúxulo que sejam os comentários feitos pelos personagens (“Não tinha um adulto consciente para colocar uma pistola na mão dessa criança?”, Julinho no episódio sobre Stranger Things), vários deles possuem um fundo de crítica social ou cinematográfica. No sétimo episódio, por exemplo, Julinho e Renan fazem comentários sobre Johnny Depp e seu problema com bebidas alcoólicas e violência, ator que já foi acusado de abuso e violência doméstica por sua mulher. Além disso, Maurílio, Rogerinho, Julinho e Renan também dizem que “a justiça é injusta”, ao citar o filme O Plano Real, que diz muito sobre a política brasileira.

Como hoje em dia está todo mundo conectado, os números do programa sobem a cada dia. O primeiro episódio a atingir dois milhões de visualizações foi o “MARVEL vs DC”, lançado dia 1 de fevereiro, enquanto os outros vídeos possuem menos da metade de views. Mas esse é apenas um dos aspectos que mostra um rápido crescimento dos gladiadores do audiovisual – só em 2018, quase 1 ano e meio depois do primeiro vídeo ir ao ar, já podemos ver diversos tipos de merchan com bordões e fotos de Choque de Cultura, sem falar das incontáveis fantasias de carnaval pelo Brasil todo.

É por isso que Choque de Cultura é o maior programa de crítica cinematográfica do país. E se me permite um protesto… Choque de Cultura não é um “Transformers”, mas é um bom produto audiovisual.


victoria cunha

libriana ao máximo, sonha alto e won’t take no for an answer. com 21 anos nas costas, tem três intercâmbios no histórico, e é apaixonada por design e turismo, tendo unido os dois para abrir sua própria empresa.

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