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Vinil Volta A Ser Relevante Após Mais De 30 Anos

Vinil volta a ser relevante após mais de 30 anos

O vinil foi um tipo de mídia muito cultuada até o final dos anos 80. Aos poucos foi perdendo o espaço para a nova mídia do momento, o CD, que era muito menor, mais prático e, talvez, a sua maior vantagem era que estava livre dos “chiados” tradicionais do vinil. Outras vantagens como poder ouvir o seu disco no carro e poder levar um número considerável de álbuns de um local para outro determinaram o sucesso imediato do CD e fizeram com que as vendas de vinil quase acabassem.

Com a propagação da internet surgiram novas formas de se obter músicas. O mais comum eram os downloads de álbuns e músicas que eram colocadas em CD’s e, posteriormente, transferidos para aparelhos de mp3. Até que surgiram os serviços de streaming, permitindo que qualquer pessoa tivesse (e tenha até hoje) acesso a quase todas as músicas do planeta, a qualquer hora e quando desejar.

Essa nova mídia mudou drasticamente o jeito das pessoas consumirem música. As antigas lojas de vinil, que se transformaram posteriormente em lojas de discos, foram aos poucos acabando. Não era mais necessária a demanda de tempo, dinheiro e espaço para se ter todas as músicas que apreciava.

Essas mudanças para grande parte das pessoas foi um avanço, porém outras se sentiram frustradas por não terem a antiga experiência ao se comprar um álbum. Não se ia mais as lojas para descobrir um artista novo, não se ouviam mais sugestões dos vendedores e colecionadores experientes, nem se apreciava a nova capa do disco e muito menos se tinha acesso às letras e ao pequeno caderno que vinha acompanhado ao álbum. Alguns desses fatores fizeram com que o Vinil retornasse.

 

Os Números

As vendas de álbuns físicos no ano de 2016 chegaram a atingir 27% das vendas de toda a indústria musical mundial, perdendo somente para os serviços de streaming. De acordo com a consultoria Nielsen, que lança um relatório anualmente sobre os números da indústria musical, foram 13,1 milhões de vinis vendidos no último ano, com um aumento de 10% em relação ao ano anterior. Para exemplificar melhor o aumento considerável da venda do vinil é só verificar os dados de 2010, no qual o número não passava de 3 milhões.

É possível averiguar o aumento desse mercado a medida em que várias fábricas que produziam vinis foram reabertas devido a euforia diante ao aumento expressivo das vendas nos últimos anos. Um exemplo disso é a Tuff Gong Records, que foi responsável por lançar os álbuns de Bob Marley e torná-lo mundialmente reconhecido. Depois de anos sem fabricar vinil, a gravadora voltou a apostar no mercado dos LP’s. A Sony também anunciou sua volta ao mercado após 30 anos sem produzir nenhum vinil.

Ainda, de acordo com o relatório Nielsen, é possível verificar a diferença do público que consome vinil e dos que ouvem música por streaming. Os álbuns digitais mais vendidos são lançamentos predominantemente do gênero pop. Já no ramo do vinil, há uma maior variedade de gêneros e também de data de lançamento entre os mais vendidos. Até a metade do ano de 2017, o álbum mais vendido foi o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, com aproximadamente 39 mil copias vendidas, seguido das trilhas sonoras dos filmes La La Land (2016), com 33 mil, e Guardiões da Galáxia (2014), com 30 mil. Porém somente o último aparece entre os 10 mais vendidos, tanto em mídia digital quanto no vinil.

 

Porque o Vinil Voltou?

De acordo com José Márcio Mourão, dono de loja de vinil em Belo Horizonte, as vendas estão aumentando gradativamente a cada dia e devem ter dobrado nos últimos cinco anos. A explicação do empreendedor é que os jovens, que nem eram da época do vinil, estão se interessando muito. Por não terem tido a experiência na época, eles acabam se interessando pelo processo manual de se ouvir um LP, explica. “O manuseio, o cuidado ao limpar o disco antes de colocá-lo na vitrola, associado ao prazer de acompanhar o encarte enquanto se ouve a música é uma sensação muito boa, que só o vinil pode te dar, e é isso que eles procuram”, afirmou José.

José Márcio também justifica o aumento da venda pela qualidade sonora de um vinil comparada às de arquivos no formato mp3. “Se você coloca 300 músicas em um CD ou Pen Drive, obviamente a música vai perder qualidade”, disse. Por outro lado, o vinil preserva as características naturais das composições, uma vez que as gravações são feitas em alta qualidade e sem a compressão de arquivos. Ainda, ele acredita que as próprias lojas são um grande atrativo para os consumidores, “Mesmo que não comprem nada, muita gente entra na loja somente para folhear os LPs, isso acontece pois sempre há música boa na loja e eles podem ficar o tempo que quiserem olhando as capas dos álbuns.”, concluiu.

Os aparelhos toca-discos presentes no mercado atualmente combinam saudosismo com modernidade, um design vintage com o desenvolvimento tecnológico, agulhas para tocarem os LPs e entradas USB e pendrive. Os preços médios dos aparelhos varia entre R$500 e R$ 4 mil, com sites como Submarino, Americanas, Saraiva e Fnac oferecendo diversas opções com preços variados.

Albúm “The Dark Side of the Moon”, da banda Pink Floyd.

 

Relançamento de Álbuns

Ao perceber o fenômeno da volta do vinil, diversas gravadoras voltaram a lançar álbuns de sucesso no passado. No âmbito nacional, a Polysom lançou uma linha chamada “Clássicos em Vinil” que relança obras marcantes como “Acabou Chorare” dos Novos Baianos, alguns clássicos de Jorge Ben Jor e outros álbuns relevantes para a música brasileira . Esses LPs foram remasterizados e possuem 180 gramas, sendo assim de melhor qualidade sonora e de maior resistência.

Internacionalmente, a discografia inteira dos Beatles, Pink Floyd e Led Zeppelin já foram remasterizadas e  lançadas em formato de LP. Outro exemplo disso foram a trilhas sonoras dos filmes Tubarão e Space Jam que também saíram recentemente devido à demanda do mercado.


gabriel gomide

futuro jornalista que teve a Música presente desde seus primeiros dias, aprendeu a apreciar o Cinema e é fissurado com Futebol.

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