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“NOEASY”: garotos nada perdidos

[tempo de leitura: 5 minutos]

Com “NOEASY”, Stray Kids mostra novas facetas e a capacidade de continuar se renovando sem perder a identidade.


SSe tem uma coisa que o Stray Kids (SKZ, na sigla) é capaz de fazer com constância é mostrar a sua força. Seja através de sua musicalidade carregada de instrumentais pesados e ousados, ou nas apresentações cheias de confiança durante o reality de competição Kingdom: Legendary War, os oito integrantes do pequeno grupo da JYP Entertainment mostram um sólido e claro futuro pela frente.

Liderados por Bang Chan, que ocupa o cargo de produtor e compositor do grupo ao lado da sub-unidade 3RACHA (Chan, Changbin e Han), o coreano-australiano é o principal responsável pelo fio musical linear da discografia que ele, Changbin, Han, Felix, Hyunjin, Seungmin, Lee Know e I.N carregam desde o debut, em 2017. E se até o momento o Stray Kids se sustentava muito na mistura do pop, hip-hop e EDM, a nova etapa dos Garotos Perdidos é marcada pela adição do trap, pop rock e instrumentais mais limpos em versos ainda mais harmônicos.

NOEASY é o segundo full album do grupo, que ainda conta com outros oito mini-álbuns e um repackage (relançamento). Em um jogo fonético que faz o título soar como “NOISY” (barulhento, em inglês), este novo projeto passa longe de parecer uma mistura sem sentido de barulhos que causam desconforto aos ouvidos. Paralelamente, é uma espécie de manifesto para distanciar o Stray Kids de uma concepção de “música barulhenta” atribuída à eles, enquanto soa como um grito de guerra para os ouvintes. Escutem o nosso rugido.

 

O TROVÃO

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Capa do álbum

O que faz de NOEASY um projeto musical certeiro é, como dito anteriormente, a escolha instrumental mais leve e harmoniosa, deixando para os membros o trabalho de causar impacto com suas vozes e letras. Este trabalho fica evidente com a title Thunderous, faixa que mistura o pop e o EDM com elementos da música tradicional coreana e traz o aviso de uma estrondosa trovoada carregada de fortes personalidades.

O título da produção, que em coreano é 소리꾼 (sorikkun), também faz uma referência dupla: primeiro, a palavra refere-se a um tradicional cantor que conta história na forma musical (o nosso trovador). Em seguida, há um jogo sonoro, onde a letra alterna entre um sorikkun (“cantores”) e um jansorikkun (“resmungões/irritantes”).

Junto a isso, os versos ajudam o SKZ a cravar o conceito por trás do disco, desde a primeira linha (“Oh, quem está gritando sou eu, oh / Eu sou Changbin, eu escolho meu caminho / Minha atitude é foda, como um trem de fuga nos trilhos, ei“) até o último momento, que ecoa o “Não me desculpo, Sou sujo / Continue falando, nós não seguimos as regras” junto a um movimento de dança que parece pedir respeito e silêncio — e, novamente, faz um outro jogo fonético, onde sorry (“desculpo“) soa como sori (“som“, em coreano).

Thunderous ainda é uma espécie de continuação para o trabalho que o Stray Kids começou no Kingdom: Legendary War. O reality do canal Mnet juntou seis grupos masculinos para duelar pelo título de Rei do K-pop, em tarefas semanais que buscavam tira-los da zona de conforto ao mesmo tempo em que davam a oportunidade a eles de mostrarem suas respectivas “cores”. Mesmo sendo pequeno dentro da Coreia, o SKZ saiu do programa como os grandes ganhadores.

A vitória é o resultado de um esforço massivo dos fãs internacionais, afim não só de reconhecer o talento do grupo mas também proporcionar a eles um espaço para crescer mais dentro de seu país de origem. Meta que já é visível com as vendagens do NOEASY e o cobiçado título de Million Sellers (um milhão de cópias comercializadas) para o disco, fazendo deles o primeiro grupo/artista da JYP Entertainment a atingir o marco.

BLOCKBUSTER?
Como parte da promoção antecipada para o álbum, o Stray Kids lançou um trailer para Thunderous apostando em uma superprodução digna de filmes de ficção-científica de Hollywood. No vídeo, os oito integrantes vivem em um mundo pós-apocalítico onde um “mostro do som” matou milhares de pessoas, e os oito integrantes são uma espécie de Caça-Fantasmas. É um audiovisual divertido para fazer teorias de conspiração e enxergar como o teaser se encaixa nessa nova fase do grupo.

 

LUZ VERMELHA, LUZ VERDE

NOEASY chega para o público dois meses após o final do Kingdom: Legendary War, mostrando um Stray Kids ainda mais coeso e ciente da posição que querem atingir na esfera musical. Eles entendem não só a possibilidade de continuar a fazer seu som de uma nova forma, mas também como mostrar a identidade dos próprios membros de forma individuais sem criar ruídos para o todo — como acontece com as músicas feitas pelas sub-unidades Chan+Hyunjin, Felix+Lee Know+Changbin e Seungmin+I.N+Han).

O segundo full só peca em dois momentos. O primeiro é com a unidade Seungmin+I.N+Han, que aposta suas cores em Gone Away. Não que a baladinha seja ruim, mas para um álbum tão dinâmico e de batidas mais aceleradas, a presença de uma faixa lenta acaba destoando do compilado e desse fluxo musical — ainda que esteja nos momentos finais.

O mesmo acontece com a minha menos favorita, WOLFGANG, mas de forma contrária. A música de vitória do Kingdom é demasiadamente acelerada e ainda carrega muito da identidade “música barulhenta” que eles buscam se distanciar com este lançamento. E estar entre duas baladas (Gone Away e gostosinha Mixtape : OH) não funciona a seu favor.

Por outro lado, Stray Kids faz acertos sonoros e líricos com maior frequência, sendo capazes de anular esses “erros” por tabela. Além de Thunderous, as produções DOMINO, The View e Red Lights são os principais destaques do álbum, acompanhados pelas batidas interessantes de Sorry, I Love You e Silent Cry, e o conceito ensolarado refrescante de Surfin’. Desse combo, é impossível não dar o pódio para Red Lights, que nas vozes de Chan e Hyunjin mostram uma faceta jamais vista dentro do grupo: um lado adulto e cheio de sensualidade controlada, acompanhado por hipnotizantes guitarras que adicionam camadas ao conceito e são muito bem ilustradas no vídeo teaser.

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Da esquerda pra direita: I.N, Changbin, Lee Know, Felix, Han, Bang Chan, Hyunjin, Seungmin

Em 14 faixas e quase 47 minutos de produção, é uma tarefa árdua chegar ao final de NOEASY sem se apaixonar um pouco pelo SKZ. Seja pelo som, pelas vozes, pela tradução das letras ou os (conceitos) visuais, o Stray Kids é uma força a ser reconhecida, capaz de ser um dos principais destaques nacionais e globais da quarta geração do K-pop e dar a eles um status consolidado dentro do Hallyu, a famosa Onda Coreana.

vics

Tem 25 anos, é formado em Jornalismo e tem uma pós em Comunicação e Marketing. É um dos criadores do projeto, colaborando com matérias sempre que tem uma boa pauta em mãos.

Em 2020, passou 48 dias assistindo Séries usando a desculpa de escrever pra revista e outros 11 dias assistindo Filmes, deitando pra indústria dos blockbusters. Não leu nenhum Livro, mas foram 48 dias reproduzindo Música e fingindo estar dublando pelo próprio legado. ✨

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