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“Portas”: Marisa Monte de coração aberto

[tempo de leitura: 3 minutos]

Com “Portas”, Marisa Monte enxerga o copo meio cheio e o coração totalmente para basear o discurso do novo álbum.


VVocê já se sentiu intimamente tocada por uma obra? Daquele jeito que parece ser feita para você? Foi assim que fiquei desde a primeira vez que ouvi o novo disco de Marisa Monte. Chamado de Portas, o material explora diversas sonoridades em uma postura sensível e próxima da pessoa ouvinte. 

Empatia, vulnerabilidade e esperança são alguns dos pontos fortes do novo trabalho de uma cantora que tanto experimentou no meio artístico e nos surpreende mais uma vez pela emoção e as vivências subjetivas. Portas mostra ser possível, mesmo em meio a tantos desafios, observar o copo cheio e manter o coração aberto, para as outras pessoas e para nós mesmas.

Salve, Marisa!

 

PORTAS

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Capa do álbum

É a jornada baseada no amor, uma trajetória interna, comprometida em lidar com as angústias e nortear para o encontro. É mais que um disco, mas sim um manual de resgate da coletividade, da perspectiva, um chamado para nos permitir agora. Assim pode ser resumida a experiência de Portas. São 16 faixas em que Marisa Monte nos convida a olhar para dentro, extrair o que nos sustenta e, a partir daí, olhar para fora.

As relações emotivas e cuidadosas assumem destaque e nos leva a sensações cada vez mais difíceis de serem acessadas no cotidiano: a leveza, a calma, a simplicidade, a harmonia. Ao longo das músicas, somos guiadas a falar a língua dos animais, curtir o elegante amanhecer, até reconhecer que “pra todo mundo a vida é difícil, todos fazem seu sacrifício pra melhorar, melhorar”. 

Nesse sentido, fechamos a jornada sonora proposta por Monte em tom otimista e estimulante, para refletir na rotina o que praticamos por meio do som em 48 minutos.

 

AFIRMATIVO

Em tempos de negacionismo e valorização do ódio, Marisa Monte nos surpreende em acreditar e se firmar no amor. A maior riqueza do disco é o tom afirmativo que ela imprime, reforçando o afeto para nos tranquilizar. 

A trajetória em Portas se prende ao diálogo, seja com os diferentes ritmos, tons de voz, e com a pessoa ouvinte, para todos os pontos formarem juntos um manifesto para a abertura, ao novo e o que está por vir.

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“Em um momento de negação, de negacionismo, eu quis fazer o de ‘afirmacionismo’. O que a gente não quer, a gente já sabe. E o que a gente quer?”.

A metáfora das portas é potente ao estabelecer a ligação entre o que passou e o que ainda esperamos. É o ponto de encontro entre as experiências e as perspectivas. Em outras palavras: todos nós vivenciamos as portas diariamente e, agora, sonorizadas também.

Ouvir Marisa Monte com tanta suavidade e clareza é um respiro em meio à agonia e incerteza da realidade atual, é uma brecha no tempo para contemplarmos as belezas naturais, as que não percebemos no dia a dia e, por fim, as internas que não deixamos desenvolver.

Nesse sentido, o convite é para nos abrirmos para a coragem, a confiança e a atitude de sentirmos por completo, tendo no radar as emoções que nos unem, nos cativam e transformam os momentos. Afinal, que portas você escolheu abrir e fizeram diferença na sua vida?

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Espero que Portas seja para você o que foi para mim: resistência poética e amorosa. A imersão em minha subjetividade e a certeza de que muito ainda posso experimentar, basta nos abrir como Marisa Monte.

mike faria

Conectado com a potência das narrativas e a sensibilidade social encontrou no Jornalismo o melhor lugar para se expressar, junto a prática de natação nas horas vagas e as distopias para lidar com a realidade.

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