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Em novo álbum, Karol Conka não perde a qualidade ao levantar questionamentos sobre seu lugar na sociedade e falar de amor.


“Quer falar em superação? / Muito prazer, sou a própria / Uma em um milhão / Original sem cópia”. É com esses versos que a rapper curitibana Karol Conka quebra o hiato de cinco anos sem lançar álbuns; Kaça é o primeiro single de seu mais novo álbum, intitulado Ambulante. O trabalho aparenta ser uma sequência natural do primeiro compilado de estúdio, Batuk Freak, lançado em 2013, mas apresentando uma sonoridade atual e certeira, produzida pelo DJ Boss in Drama, com versos que refletem questões sociais, amores e autoafirmação.

Embora diversos singles tenham sido lançados mais recentemente, foi com a música Tombei, de 2014, que Karol atingiu o mainstream. E junto com as faixas É o Poder, Maracutaia, Farofei, Lalá e Cabeça de Nego, as expectativas dos fãs aumentaram ainda mais pelo próximo disco da cantora. Tudo isso criou o cenário para que a artista pudesse ousar tanto no seu som quanto na estética, assinada por Alma Negrot, artista performática carioca.

Com Kaça, a artista abre o álbum com uma música extremamente dançante e pronta para ganhar as pistas, contrastando bem o seu ritmo com versos ácidos, cantados com uma certa urgência. O vídeoclipe da canção, dirigido por J.Brivilati, impacta desde a primeira cena: um desconforto é causado por um ruído que se confunde à uma briga encenada entre pai e filha, interpretados pelo ator Emerson Natividade e pela dançarina Natasha Vergílio. Porém, nesse caso, a figura paterna representa mais do que um progenitor, trata-se de amarras e opressões. Tudo isso é quebrado com a chegada de uma entidade, Karol Conka, que dá força a garota.

A música Bem Sucedida traz Conka consciente de suas conquistas, mas sem deixar de lado o tom crítico presente em suas rimas. “Eu vim de baixo, nem por isso me rebaixo / Sigo assumindo cachos / Do meu jeito, eu me encaixo / Sem pressa vou dar mais um passo”. A produção surpreende, ainda, ao usar o sample do sucesso baiano Piriri Pompom como parte essencial do refrão.

Vida que Vale também reforça a Karol trabalhadora, que vai atrás de seus objetos. Dessa vez, os sintetizadores criam um clima pop e os versos servem de inspiração: “Minhas frases mudam vidas / Porque eu pus minha vida em cada frase / Eu escrevo pra cicatrizar feridas / Eles acharam que era só uma fase”. Trabalhando a liberdade individual e seguindo em sua defesa pela diversidade, Vogue do Gueto é uma das canções chicletes do álbum. Além disso, apresenta sample da música Blow, lançada por Beyoncé em 2013, sendo uma aposta interessante para o terceiro ou quarto single.

Em Dominatrix e Suíte a rapper decide falar de sexo, algo que já fez outras vezes em seu repertório. No entanto, na primeira, os versos tratam de um prazer mais sadomasoquista e tem grande potencial para bombar nas noites brasileiras. Já no segundo caso, a batida trap deve funcionar melhor nos shows da cantora do que em boates e festas.

Saudade é a canção destaque do álbum. Mostra a “sofrência amorosa” junto a um reggae pop e clama para se tonar um single. De acordo com Boss in Drama, a música foi composta por Karol Conka em cinco minutos, enquanto ele tocava alguns acordes no teclado – algo que revela a sintonia da dupla. O clima melancólico segue em Desapego, mas mostrando um “seguir em frente” e funciona como música de transição para a sedutora Fumacê. Na faixa, os vocais exploram um lado mais melódico em um romântico R&B.

Você Falou é a parte final do material e a que mais lembra o álbum anterior, possivelmente pelo uso de instrumentos de percussão aliado a levada Soul. Uma boa conclusão ao trabalho que, apesar de misturar ritmos, mostra absoluta coesão e funciona tanto como pacote fechado quanto em faixas isoladas. Tudo isso poderá ser conferido na nova turnê da cantora que passa a ter dois formatos: um show com banda completa e outro acompanhada pelo DJ Hadji.


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