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De Araxá Para O Mundo: Prazer, Ruben Di Souza!

De Araxá para o mundo: prazer, Ruben di Souza!

Camuflado em meio a guitarras Gibson penduradas na parede, violões dos anos 70 dispostos pela sala e uma dúzia de teclados espalhados pelo estúdio, Ruben di Souza respira música. O que era de se esperar de um produtor musical de longa data. O Rubinho – como é conhecido por artistas, cantores e compositores de Minas Gerais e do Brasil – não esconde a satisfação e o orgulho por trabalhar com o que ama. Pelo contrário. Faz questão de apontar, uma a uma, todas as conquistas da vida. E que conquistas!

Pode até parecer clichê, mas assim como a maioria dos profissionais do ramo, Ruben nasceu para a música. Natural de Araxá, desde criança se interessou pelos acordes, melodias, arranjos e composições. Filho de pastor evangélico e de mãe integrante do coral da igreja, Rubinho já desenvolvia um gosto que iria ser importantíssimo lá na frente em seu futuro: a afinidade pela música gospel.

Antes de ser tornar um produtor musical renomado, entretanto, Ruben di Souza foi músico. Viveu toda aquela experiência de banda. De estar em conjunto. Tocou em grupos de baile, acompanhou artistas, viajou pelo país inteiro, esteve presente em inúmeros estúdios para gravar. De tanto acompanhar os processos que envolviam a produção de discos, EP’s e canções, decidiu seguir outros caminhos. “Com tanta intimidade que fui pegando nesse meio de gravação, saber equipamentos, saber quem é quem, pesquisar… o trabalho acabou virando produção musical”, explica.

Foram muitas horas de voo de estúdio e como músico. O primeiro trabalho de Rubinho na nova profissão foi um álbum infantil em 1989. Ele viajou para São Paulo, trabalhou junto de uma gravadora e assinou o primeiro disco da dupla de palhaços Patati Patatá. “E de lá pra cá eu não parei mais”.

Milton Nascimento, Tianastácia, Skank, Beto Guedes, Lô Borges, 14 Bis… quer mais? Daniela Mercury, Vander Lee, Guilherme Arantes, Jota Quest, César Menotti e Fabiano. Ruben di Souza assinou trabalhos com vários cantores, cantoras e bandas conhecidíssimas do cenário brasileiro. Seja no pop rock, no axé, na MPB ou no sertanejo, Rubinho esteve presente como produtor musical. “É tanta gente! Às vezes chega dar até um branco!”, brinca.

 

Produzir não é tão simples!

O produtor musical é a ponte para tudo. Ele liga todos os pontos. São os pontos do artista com a parte técnica, o artista com os músicos, o artista com a indústria. Esse disco vai para onde? Para o rádio? É de igreja, de um artista popular, de uma banda? Qual é o nicho? É dever deste profissional responder essas e outras perguntas que não envolvem apenas notas, acordes e arranjos. Embora Rubinho tenha vivido toda uma carreira como compositor e arranjador, essa não é uma condição específica para o trabalho. “Não necessariamente ele precisa ser um músico. Mas ele precisa entender o negócio como um todo”.

O trabalho realizado por Ruben di Souza envolve cinco etapas principais: repertório, músicos, estúdio, equipe técnica e finalização. O percurso envolve muito planejamento, dedicação e paciência, acima de tudo. Segundo Rubinho, o artista quer gravar um trabalho quando ele tem a necessidade de “contar uma nova história, criar novas canções ou produzir músicas encomendadas para novelas, turnês ou outros fins específicos. E tudo começa em uma ligação”.

O repertório é o conjunto de canções já planejadas pelo artista, compostas por uma junção de arranjos, melodia, harmonia e letra. Os músicos são os profissionais que estarão dentro do estúdio para gravar todos os instrumentos envolvidos nas canções: percussões, guitarras, baixos, teclados, sopro, voz, etc. Esses profissionais podem ser da mesma banda do artista ou contratados para essas ocasiões. O estúdio é a estrutura física de gravação, composto por mesas de áudio, equipamentos de captação e instrumentos musicais. Finalmente, a finalização envolve a edição de todo o material bruto, adição de efeitos especiais, mixagem e masterização.

Para Rubinho, o planejamento é essencial. O artista precisa estar com tudo na cabeça. Assim o trabalho flui da maneira correta. “Uma vez o saudoso Vander Lee me ligou e disse que queria gravar um disco. Em um telefone ele me falou tudo o que queria”. O trabalho, na ocasião, foi o álbum ao vivo Pensei que fosse o céu, gravado no Palácio das Artes em 2006. “Ele já sabia o repertório, os músicos convidados, o local, etc. Quando a gente foi pro ensaio ele já tava com tudo na cabeça”, conta.

Aline Barros conseguiu com o “Graça”, seu oitavo disco, duas certificações de Platina e o seu sexto Grammy Latino

Hoje com 43 anos de idade, Ruben se dedica apenas à música cristã. Produziu músicos como André Valadão, Lu Alone, Gui Rebustini e bandas como a Discopraise, Livres para Adorar e Pedras Vivas. Mas foi com a cantora Aline Barros que aquele Rubinho, filho de pastor evangélico e mãe regente do coral da igreja, alcançou o ápice de sua carreira.

O produtor musical ficou responsável pela organização do disco Graça, produzido em 2013 junto à gravadora MK Music. O trabalho foi tão impecável que Rubinho e Aline foram reconhecidos internacionalmente. Juntos receberam o Grammy Latino na categoria “Melhor álbum de música cristã em língua portuguesa” no ano posterior. Ao mostrar a famosa estatueta em formato de vitrola, Ruben di Souza reforça com o maior orgulho do mundo: “O disco é muito bom. O disco é realmente sensacional”.

 

A indústria da música

Questionado se existem gêneros musicais que fazem mais sucesso do que outros no mercado da música brasileira, Ruben di Souza explica que não há receita. Mas ele conta que existe sim uma certa tendência natural ao predomínio de determinados tipos de música a depender do contexto histórico. “Há quanto tempo não temos um novo artista de MPB? Há quanto tempo não temos uma banda de rock nova? Tem um bom tempo”, reflete.

Segundo Rubinho, as maiores festas brasileiras são os rodeios e as exposições. Por isso o sucesso tão grande das duplas e cantores sertanejos que não param de explodir no cenário do nosso país. Além disso, as canções desse gênero musical são muito populares e fáceis de se assimilar. As pessoas ouvem e já saem curtindo rapidamente. “É uma música que tem encomenda e endereço”, brinca.

Antes de se dedicar única e exclusivamente ao segmento gospel, Ruben produziu o hit Ciumenta, da dupla César Menotti e Fabiano. Os cantores mineiros estavam no alto das paradas com a música Leilão e precisavam manter o alto padrão de trabalho com outra canção de sucesso. Ciumenta, portanto, surge com uma letra cativante que reflete situações do cotidiano. Afinal, quem nunca passou por problemas de ciúme em relacionamentos?

Foi com essa chamada que César Menotti e Fabiano mostraram ao público, pela primeira vez, o hit em um show ao vivo. “Quando eu ouvi a introdução… o povo já foi à loucura. O Fabiano olhou pra mim e gritou: deu certo! Às vezes você procura e procura o sucesso e ele não aparece. E de repente acontece”, complementa.

Neste caso, o sucesso veio após um longo período de produção musical, planejamento de arranjos, letras e dias de estúdio. Mas o sucesso pode vir também de outras maneiras. Estamos em um mundo cada vez mais digitalizado, globalizado e interativo. Deixamos os discos físicos para dar mais atenção às plataformas de streaming. Não precisamos ficar de olho na MTV ou na Multishow para acompanharmos aquele novo clipe do Justin Bieber ou da Rihanna – basta acessarmos o Youtube. Rubinho conta que isso tira um pouco da essência daquele ritual: de poder contemplar a ficha técnica de um álbum e descobrir em qual estúdio foi gravado, quais foram os engenheiros de mixagem e todos os outros profissionais envolvidos na confecção do produto final. “Os LP’s tinham muito disso. Hoje nós perdemos essa ficha técnica. Ninguém sabe quem tocou, quem gravou, onde que foi feito…”.

O produtor musical, no entanto, acredita que a música digital não chegou para atrapalhar. E sim para complementar. De acordo com Ruben, o Brasil é um país continental, gigantesco. E a internet auxilia na difusão dos trabalhos autorais espalhados pelas cinco regiões do país. Ele conta que, no passado, os hits passavam por diferentes estações de rádio – desde o interior até às capitais – para estourar no Brasil inteiro. Hoje as coisas são muito mais fáceis. “Eu toco esse piano, faço um upload e já tá no mundo inteiro. Tô conversando com o planeta!”, explica.

 

Música é cultura!

Ruben é realmente um daqueles caras que nasceram para a música. Ele é pai de João e Bernardo di Souza, que já herdaram essa paixão que começou lá em Araxá, no coral da igreja. Com um certo brilho nos olhos, ele conta que ser produtor musical é poder acompanhar a história da música e todos os seus processos adjacentes. “É a sensação de ser um espectador privilegiado. A música te dá a possibilidade de estar do lado do seu ídolo. E isso aconteceu comigo. Poxa, tocar teclado com Guilherme Arantes? Isso é demais pra mim!”, conta emocionado.

No Instagram: “Obrigado Deus!!! por mais um dia incrível”

Ser produtor musical é também acompanhar o mercado da indústria fonográfica. Descobrir novas linguagens, tendências e estilos. E todas essas formas de manifestações são válidas. Independente do gênero, local ou exposição. “Nós temos bandas se rock, sertanejo, pagode e música cristã maravilhosas. O Brasil é muito rico! E é isso mesmo. Cada um produzindo a sua música. E o holofote cada hora virado para um lado”.

Pode ter certeza que o nosso país é muito rico sim, Rubinho! E você foi fundamental no cenário musical produzindo e divulgando trabalhos. A música agradece!


julio puiati

Gamer, aspirante a Jornalista e apaixonado pelo esporte eletrônico. é também amante da Música e do Futebol, sobretudo o inglês. sempre escreve acompanhado de uma boa cerveja.

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