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Em "Ritual", seu álbum de estreia solo, Davi mostra muita autenticidade, com uma mescla de estilos, conceitos e gêneros bem utilizada.

Em “Ritual”, seu álbum de estreia solo, Davi mostra muita autenticidade, com uma mescla de estilos, conceitos e gêneros bem utilizada.


DDentre os nomes do novo cenário da música brasileira está Davi Sabbag, ou apenas Davi, que antes era conhecido pelo trio de tecnobrega Banda Uó, composto também por Mateus Carrilho e Candy Mel e de grande referências para a comunidade LGBTQIAP+. Após o fim da banda em 2018, em uma carreira solo, Davi se permitiu perpassar por novas atmosferas e agora nos presenteia com seu debut, Ritual.

Capa do álbum

O álbum, lançado em 27 de setembro, traz infinitas facetas do cantor, com a predominância de baladas românticas contracenando dor e decepções através de canções lentas – contrastando com uma uma quebra das faixas dançantes. As influências da antiga banda ainda permeiam pelas autorias do cantor, mesmo que de forma bem sucinta. Ritual exibe um conceito mais voltado para a depreciação do que para amor e festa como costumava a ser na época do trio.

De acordo com o dicionário, a palavra que intitula o projeto se relaciona com tudo que é caracterizado com religiosidade, em um segundo conceito, podendo ser associada ao misticismo. O álbum tem em suas características os dois aspectos: o místico alusivo ao mistério, que pode ser visto na estética do projeto, e também no instrumental de cada música. Por outro lado, é o querer de estar com alguém que já se tornou um hábito, um ritual, como é perceptível nas letras.

Davi na época da Banda Uó, ao lado de Candy Mel e Mateus Carrilho

Ambas as ideias se interligam com o universo LGBTQIAP+, que tem ganhado espaço na indústria musical brasileira. Ele mostra um aspecto comum da comunidade, ser autêntico, fora dos padrões, sem excluir ou apontar gêneros. Pop alternativo com uma pitada de R&B predomina o gênero musical de Ritual. Essa mescla mostra influências da música estrangeira, mas os batuques trazem memórias claras da música brasileira. Na voz suave de Davi, as letras sobre amores e desamores ganham um ar de sensualidade e plenitude.

Para colaborar com o projeto, o artista convidou colegas ícones da comunidade. Kafé intensificou a identidade de Pop alternativo do álbum em Café Preto, enquanto Urias, que colaborou em Não Faz Diferença, transpassou as características do tecno brega, e Jaloo, por fim, com Banquete, ressalta o R&B.

Sobre a estética do álbum, ao encerrar a fase com um grupo tão autêntico quanto Banda Uó, Davi não pôde deixar de lado as influências do trio. Mesmo que não tenha a mesma temática, seus clipes apresentam um estilo genuíno e peculiar, colocando à tona o conceito de ritual. Cores e efeitos são bem selecionados para a ornamentação do projeto.

Banquete reforça tal espírito através do cenário e referências de “bruxaria” – como o próprio cantor denominou. Sangue, cristais, escuridão e velas simbolizam tal ideia. Enquanto isso, Ficar Sem Você, o hino da bad, resgata o aspecto de desilusões amorosas – sua estética, no entanto, não se aproxima tanto da ritualidade. Ritual pode ser considerada o ícone de sensualidade do projeto, através de toque e contraste de cores.

Mesmo com toda a experiência proporcionada, Ritual parece seguir um padrão de que torna o álbum um pouco repetitivo e algumas canções pouco memoráveis. Por outro lado, algumas são facilmente destacáveis, como Saiba, que foge do gênero musical escolhido por Davi, Maçã, pela nostalgia do Nordeste, e Banquete pela sensualidade e mistério.

Ritual esbanja sinceridade. Davi deixa claro que está em busca de sua personalidade como artista solo e que tem se divertido em descobrir seu universo. O que prevalece em seu primeiro projeto solo é autenticidade e originalidade, com a mescla de estilos e conceitos utilizados.


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