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"SCOOBY!: O Filme" desperdiça a oportunidade de reviver a franquia de Scooby-Doo e seus amigos, sendo apenas uma animação genérica.

“SCOOBY!: O Filme” desperdiça a oportunidade de reviver a franquia de Scooby-Doo e seus amigos, sendo apenas uma animação genérica.


QQualquer criança que brincou com bonecos e figuras de ação durante a infância entende o quão divertido é poder misturar livremente personagens de marcas, universos e histórias diferentes, de acordo com sua própria imaginação. Essa sensação de uma construção lúdica e desgovernada de uma narrativa é o que guia SCOOBY!: O Filme, em uma confusa empreitada na mitologia do dog alemão mais conhecido da cultura pop.

Falar sobre o longa exige minimamente uma breve recapitulação do contexto ao qual a obra foi lançada. Originalmente pensada para uma estreia nos cinemas, a animação acabou encontrando no VOD (vídeo por demanda, em tradução literal) a opção de lançamento no meio do contexto da pandemia do COVID-19. Essa alteração tem uma ligação direta com a proposta do filme que não é uma repaginada no universo da turma da Mistério S/A, dando vida ao primeiro filme animado de Scooby-Doo e sua turma que chegaria as telas, mas sim uma tentativa de construção de um universo mais plural com figuras diversas da Hanna-Barbera.

Pôster nacional

É daí que se origina a confusão narrativa que SCOOBY!: O Filme se assume ser. O roteiro, escrito a quatro mãos, inclui uma gama de aparições que trazem um enorme inchaço narrativo – tanto na falta de aprofundamento de alguns personagens cruciais ao núcleo próprio da franquia Scooby-Doo, quanto dos outros personagens que são introduzidos na narrativa por algum motivo qualquer.

Um bom exemplo para situar está empreitada desgovernada é a participação de Simon Cowell, famoso produtor de música e jurado/mentor do The X Factor, como um investidor que almeja comprar a Mistérios S/A e que enxerga como necessária a exclusão de Salsicha (Frank Welker) e Scooby (Will Forte) do grupo. Dessa possível cisão que fere os sentimentos da dupla de melhores amigos, a trama se desenrola para um rocambole de situações e tentativas de se amarrar uma base mitológica de todos os personagens inseridos, que vão desde o Falcão Azul (Mark Whalberg) e Dinamite, o Bionicão (Ken Jong), passando pelo Capitão Caverna (Tracy Morgan) até mesmo à presença de Dick Vigarista (Jason Isaacs) como antagonista.

Nesta proposta, se perde tanto a boa amizade entre Salsicha e Scooby que havia sido apresentada nos primeiros minutos da projeção, como também há um esquecimento de Fred (Zac Efron), Daphne (Amanda Seyfried) e Velma (Gina Rodriguez) na trama – e nesse sentido, sem a presença da equipe por completo, também se perde um potencial de mistério e investigação lúdica que sempre foi a essência da série animada.

Nesta grande loucura frenética, falta um controle narrativo ou uma ideia consistente de como trabalhar essa proposta por parte do diretor Tony Cervone, o que terminar por assegurar que SCOOBY!: O Filme é uma grande bagunça, em todos os sentidos. Se de fato o longa empresta a pureza infantil de uma criança para criar suas próprias narrativas e combinar personagens em uma mesma história, não seria pedir muito que a animação e seus elementos visuais também abraçassem a pirotecnia que o longa poderia vir a ser. Não como uma comparação e sim como um apontamento, Homem-Aranha no Aranhaverso é uma animação que encontra uma maneira estupenda de trabalhar a pluralidade de versões de seu personagem título não só na história que quer contar, mas em uma combinação orgânica de diferentes traços e estilos de animação estilizados que se complementam.

É curioso que, uma vez tirada a máscara de SCOOBY!: O Filme, aquela que anuncia um rico universo em potencial para uma série de filmes animados, resta uma obra confusa e sem personalidade que não tem a coragem ou criatividade para abraçar, de fato, seu próprio surto lúdico.

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