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Além dos Olhos de Tammy Faye

[tempo de leitura: 4 minutos]

Tomando partido, “Os Olhos de Tammy Faye” cresce com a performance de Jessica Chastain e tem sucesso em envolver o espectador.


FFilmes sobre grandes personalidades, no geral, fazem muito sucesso. A curiosidade em saber mais sobre o outro é quase intrínseca à sociedade atual, especialmente no caso das celebridades. Tais obras, muitas vezes, tornam os famosos mais reais e palpáveis ao mostrar sua jornada, erros e receios. O interesse no gênero é ainda maior quando o longa se baseia em uma figura polêmica. Quem não gosta de uma fofoca, não é mesmo?

Os Olhos de Tammy Faye (2021) é pautado justamente na história de duas pessoas muito controversas, que garantiram tanto uma legião de fãs quanto de haters. O filme conta a história do casal Tammy Faye (Jessica Chastain) e Jim Bakker (Andrew Garfield), que cresceram astronomicamente no tele-evangelismo dos Estados Unidos durante as décadas de 70 e 80.

Ambos com origens bem humildes, construíram um verdadeiro império no canal PTL. Começaram o público infantil, usando fantoches para falar sobre o cristianismo, mas logo se tornaram apresentadores de TV, com direito a talk-show e programa de auditório.

Ainda que o objetivo inicial fosse espalhar a palavra de Deus, não demorou muito para que virasse uma maneira de fazer muito dinheiro. Os telespectadores eram instigados a doar dinheiro para o canal e diversos empresários fizeram investimentos nas causas levantadas pelo casal.

Enquanto o PTL crescia, os luxos dos Bakker também aumentavam. Eles não eram discretos. Moravam em uma casa enorme e muito sofisticada, com todas as mordomias possíveis. Tammy, principalmente, esbanjava em casacos de pele e acessórios extravagantes.

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O filme é narrado sob o ponto de vista de Tammy Faye, de modo que Jim é pintado como o responsável pelos desvios de verba e ela supostamente não sabia do que estava acontecendo. Considerando que as mulheres de fato ficavam de fora das discussões financeiras na época e eram até ensinadas a deixar tudo nas mãos do marido, acho justo que ela não tenha participado diretamente do esquema. Porém, surge a questão: ela não desconfiava de nada? De onde ela pensava que vinha todo o dinheiro?

A personagem é construída como uma pessoa que tem suas próprias ideias e valores. Seu apoio à comunidade LGBTQIA + e às pessoas com HIV/AIDS eram contrários ao que os grandes líderes cristãos pregavam, e ela ainda assim se mantinha firme no que acreditava. Não consigo acreditar que ela estava completamente alheia aos arranjos financeiros do marido mas, de qualquer forma, o filme não é sobre isso e apenas Jim foi preso por fraude. Só fiquei com esse questionamento.

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Ainda que seja um retrato bem íntimo do processo de ascensão e queda, o longa passa por diversas situações sem se aprofundar muito. Tammy e seu relacionamento complicado com a mãe (Cherry Jones), escândalos sexuais envolvendo Jim, conflitos entre o casal e até um caso extraconjugal são mencionados de maneira superficial. O filme até sugere que a protagonista ficou dependente de remédios, mas nada é minimamente detalhado.

É como se fossem apenas menções do cotidiano e não situações realmente sérias e com grandes consequências. Claro que não dá para entrar em detalhes sobre tudo em apenas duas horas, entretanto, não dá para introduzir na narrativa com menos importância que o vício da protagonista em Coca-Cola diet.

O grande destaque de Os Olhos de Tammy Faye está em Jessica Chastain, que verdadeiramente incorporou a personagem com todas as extravagâncias. Tammy era uma pessoa muito caricata, com maquiagens fortes, expressões faciais marcantes e comportamento intenso. E Chastain conseguiu interpretar com uma naturalidade impressionante, sem fazer uma caricatura ainda maior de alguém que já parece fantasioso.

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Andrew Garfield não tem tanto destaque, mas os holofotes não são dados ao personagem. Ele está em segundo plano e se porta muito bem nesse lugar. Jim Bakker é uma pessoa marcante na história, mas o filme é sobre Tammy Faye.

E a semelhança física entre Garfield e Bakker é bizarra. Chastain precisou mudar todo o visual para parecer com Tammy, mas não foi o caso do parceiro. Quando foram mostradas fotos do casal real e ficcional, eu fiquei na dúvida sobre quem era quem.

Ainda que eu tenha certas ressalvas sobre o filme, achei a história bem interessante de saber e o resultado final é de uma obra que prende o espectador e causa boas reflexões. Importante mencionar que a narrativa não é neutra e deixa bem claro que o casal tem atitudes e morais questionáveis mas, no final das contas, o julgamento cabe apenas ao público.

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Os Olhos de Tammy Faye é um filme baseado em um documentário homônimo, lançado em 2000. A direção é de Michael Showalter, conhecido pelos trabalhos em Mais um Verão Americano (2001) e The Baxter (2005).

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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