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O Impeachment Que A Grande Mídia Não Mostrou

O Impeachment que a grande mídia não mostrou

Com o objetivo de retratar o processo de impeachment de Dilma Rousseff, o filme O Processo, dirigido por Maria Augusta Ramos, estreou nos cinemas no último dia 17. O documentário se destaca por não apresentar entrevistas ou intervenções diretas, apenas cenas dos bastidores.

Diante do turbulento contexto político do Brasil, não é espantoso que os espectadores do longa sejam reativos às cenas. Especialmente quando figuras como Eduardo Cunha, Aécio Neves e Antonio Anastasia aparecem na tela, o público explicita seu desprezo. O filme não tem a intenção de ser panfletário e não distorce informações (diferentemente do que acontece em O Mecanismo, série lançada pela Netflix também este ano), mas dá mais espaço para os petistas, especialmente para Gleisi Hoffmann e José Eduardo Cardozo.

Em entrevista à Carta Capital, Maria Augusta Ramos comentou a respeito da parcialidade do documentário: “Não é que seja a perspectiva da defesa: eu acompanho muito mais os bastidores da defesa porque a defesa me deu esse acesso. Eu tive acesso a reuniões da liderança da esquerda, da minoria que era contra o impeachment. A oposição não me deu esse acesso. Se tivesse dado, eu certamente teria filmado mais. Mas eu acho que era importante, sim, apresentar o argumento da direita, o argumento pró-impeachment. Para expor isso, eu escolhi, por exemplo, o senador Cássio Cunha Lima, que tem uma lógica de argumentação inteligente, ou que, pelo menos, faz sentido”.

Outra figura defensora do Impeachment que aparece frequentemente na tela é a jurista brasileira Janaína Paschoal. Ela é responsável pelas cenas mais cômicas do filme, já que aparece fazendo alongamentos e tomando Toddynho no Senado. A relação de Paschoal com a religião fica explícita, já que na maioria de seus discursos contra Dilma ela evoca a figura de Deus (e da família tradicional brasileira). As expressões faciais dos personagens representados, que Maria Augusta Ramos capta com brilhantismo, dizem mais do que seus discursos.

O longa ganha também por ter um enfoque bem definido. A diretora não tem a intenção de, por exemplo, retratar todas as manifestações a favor e contra Dilma – apenas as que acontecem em Brasília. Figuras emblemáticas no atual contexto político brasileiro, como Lula e Sérgio Moro, não aparecem no longa (já que a intenção é realmente tratar sobre o processo de Impeachment da então Presidente).

Dilma Rousseff ficou no cargo de Presidente até 31 de agosto de 2016, quando foi substituída pelo seu então Vice, o atual Presidente da República, Michel Temer

O Processo não é um filme leve de se assistir, mas é fundamental para um maior entendimento da atual conjuntura social e política do Brasil. Escancara justamente o impeachment que a grande mídia evitou mostrar: inconsistente, misógino e revanchista.  “Eu não acredito em neutralidade, acho que um filme é uma visão de mundo. Meu filme é o meu statement, é a interpretação da minha experiência cinematográfica vivendo e filmando tudo o que aconteceu (…). Mas eu também não estou aqui para explicar, especialmente numa situação tão complexa quanto essa. O que eu quero é possibilitar questionamentos”, explica a diretora.


carolina cassese

estudante de Jornalismo, feminista, louca dos gatos, geminiana de sol e alma. apaixonada por mudanças e pelas palavras.

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