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"O Filme da Minha Vida" conta uma bela história, misturando o poder da Fotografia com um roteiro bucólico e nostálgico.

“O Filme da Minha Vida” conta uma bela história, misturando o poder da Fotografia com um roteiro bucólico e nostálgico.


CCom mais de cinquenta trabalhos como ator em seu portfólio, Selton Mello continua a demonstrar suas habilidades no audiovisual com a estreia do longa O Filme da Minha Vida (2017). Apesar de sua carreira como diretor estar no início, Mello possui em seu portfólio títulos expressivos como Feliz Natal (2008) e O Palhaço (2011). Os três filmes contaram com a parceria do ator e escritor Marcelo Vindicatto para a criação de seus respectivos roteiros, o que inclui a adaptação do romance Um Pai de Cinema, escrito pelo chileno Antonio Skármeta.

https://www.youtube.com/watch?v=TDVegL5nfYs

Em O Filme da Minha Vida, acompanhamos Tony (Johnny Massaro), um jovem adulto que deixou o pequeno vilarejo no sul do país para estudar na cidade grande. Quando retornou à sua terra natal, o jovem descobriu que seu pai, o imigrante francês Nicolas Terranova (Vincent Cassel), retornou para a França sem explicações. O que deixou sua esposa Sofia (Ondina Clais Castilho) à mercê da atenção de Paco (Selton Mello), amigo antigo da família. Além de precisar lidar com a ausência do pai, Tony começa a dar aula na escola local e se envolve com as irmãs Luna (Bruna Linzmeyer) e Petra (Bia Arantes).

A produção trabalha com elementos nostálgicos do passado em detalhes situacionais. Como a bicicleta, a câmera analógica, a arquitetura das casas rurais e a forma como as personagens se vestem e interagem. Elementos que muitas vezes passam despercebidos, mas que completam a cenografia e criam harmonia ao lado da fotografia de Walter Carvalho, uma característica importante para a obra e o universo nostálgico onde ela acontece. O tom sépia suave escolhido por Carvalho ajuda a reforçar a sensação bucólica que o filme transmite aos espectadores, principalmente em um momento da vida cheio de simplicidade e afeto.

Cena de “O Filme da Minha Vida”

Com grande beleza visual e personagens cheios de vida, conhecemos aos poucos a motivação por trás deles e suas tramas pessoais. O próprio Tony começa a compreender a complexidade do mundo à medida que interage com os outros moradores da sua cidade, e tenta entender a perspectiva do mundo fora do olhar inocente de uma criança. Dessa forma, os closes e planos fechados nos rostos dos atores nos ajuda a perceber melhor a mudança de suas expressões e as transformações que eles passam com o surgimento de novos desafios.

Logo, percebemos que a mistura entre o bucólico e o nostálgico trabalham a importância da memória. Durante a narrativa, Tony é confrontado a simplesmente deixar de lado o pai que desapareceu sem deixar notícias. Contudo, a dificuldade de deixar para trás algo tão importante sobre o seu passado e quem ele é apenas reforçam a necessidade do jovem de continuar sua busca por respostas sobre esse acontecimento. O Filme da Minha Vida possui como exercício de moral o quanto é difícil desapegar, mas é sempre necessário seguir em frente.


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