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A Segunda Aventura Dos Guardiões Da Galáxia

A segunda aventura dos Guardiões da Galáxia

  • Filmes

Quando a Marvel iniciou sua empreitada comercial nos cinemas com o filme solo do Homem de Ferro (2008), muitos consideraram uma atitude ousada da empresa. Mesmo que seus personagens mais mainstreams, como os X-Men e o Homem-Aranha, estivessem sobre direitos autorais de outros estúdios a Casa das Ideais não se acanhou e arriscou em adaptar as histórias de alguns personagens não tão populares. Depois do sucesso obtido, por mérito próprio, com os filmes solos de alguns heróis e a película que os reunia em uma equipe (Vingadores, 2012) a Marvel Studios se arriscou mais do que nunca ao trazer as telas os Guardiões da Galáxia (2014), um de seus grupos mais desconhecidos e desajustados dos quadrinhos.

Felizmente a recepção de crítica e público foi estrondosamente positiva, alavancando o longa à quinta posição de maior bilheteria entre os filmes da empresa. Se em algumas outras produções as diretrizes muito estabelecidas e a veia controladora da empresa, personificada na supervisão de Kevin Feige, não permitiram que certos diretores dessem seu próprio traço as produções, no caso de Guardiões o sucesso do primeiro filme se deve muito a liberdade criativa que foi dada a James Gunn. Com o lançamento da continuação, Guardiões da Galáxia Vol.2 (2017),a responsabilidade de fazer um filme tão descontraído recaem sobre os ombros do diretor, que entrega uma produção tão gostosa e irreverente quanto a primeira.

Com isso, voltamos a acompanhar o grupo de heróis desajustados formados por Peter Quill (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket Racoon (Bradley Cooper) e Baby Groot (Vin Diesel). Dessa vez, os heróis estão realizando um serviço pago em um planeta, até que tudo da errado e eles são forçados a escapar, quase perdendo suas vidas e sendo salvos por Ego (Kurt Russel), o pai biológico de Quill. Assim, acompanhamos a jornada pessoal de cada personagem a partir dos acontecimentos que se desenrolam deste encontro. E é ai que o filme se diferencia de seu antecessor.

Se na primeira jornada da equipe era necessário apresentar cada um deles, além de garantir-lhes uma missão que os tornaria em uma equipe, em Vol.2 existe a necessidade de aprofundar cada um dos personagens. E como acertaram! Mérito de James Gunn que, novamente, também assina o roteiro do longa trazendo a identidade irreverente e o humor ácido e caricato dos personagens para, em diálogos dinâmicos e envolventes, aflorar nuances de cada um dos membros da equipe. Claro que existe um privilégio para alguns arcos dramáticos, como o desenvolvido entre O Senhor das Estrelas e seu pai ou a recuperação da relação paternal existente entre o líder dos Guardiões e Yondu (Michael Rooker), que retorna para um papel muito mais profundo e importante para a trama. Outro mérito do roteiro que consegue equilibrar melhor a participação de cada personagem na dinâmica de equipe, uma tarefa difícil e importante para um filme de grupo.

Também coadjuvante no primeiro filme, Nebulosa (Karen Gillian) retorna para uma participação mais interessante do que no anterior, assumindo um papel importante no desenvolvimento de Gamora e funcionando até mesmo como um leve elo para a presença de Thanos, que felizmente é resguardado para o vindouro Vingadores: Guerra Infinita e não assombra a nova aventura cósmica. Mesmo que a personagem sofra com um overacting da atriz, acaba sendo superável graças a toda estética caricata e suas cores vivas. Além disso, as introduções ao MCU são muito bem feitas com Kurt Russel dando vida a um Ego sedutor e misterioso, que tem suas motivações pessoais bem construídas pelo texto; a uma Mantis (Pom Klementieff) inocente e adorável; a um Stakar Ogord (Sylvester Stallone) realizando uma figura importante para o arco de um dos personagens.

Curioso é que Gunn opta por uma narrativa pouco tradicional, sem se preocupar em realmente desenvolver acontecimentos em uma sucessão de eventos consequentes. A verdadeira preocupação aqui é tratar dos personagens, dar-lhes camadas e permitir interações entre o grupo, o que acaba rendendo os pontos mais positivos da produção. O diretor-roteirista entende que não é necessário ser sério para ser profundo, garantindo a todos personagens momentos cômicos incríveis. Rocket ganha um arco dramático um pouco maior, mas a arrogância na voz de Cooper, que está claramente mais a vontade como dublador, continuam valendo cada comentário ríspido que tem pra fazer – além de ter uma relação com Yondu muito bem construída. Baby Groot é adorável e aquece o coração de todos sempre que está em cena, mesmo quando está em modo de ataque. Chris Pratt, novamente, se sobre sai como Peter Quill ao explorar de seu ótimo tempo cômico, mas também ao trazer momentos mais dramáticos a toda jornada de descoberta do herói. Quem rouba a cena é Dave Bautista que retorna ao seu papel de Drax mais piadista e menos destruidor, mesmo que fugindo um pouco da essência do personagem, mas transformando-o em um uma figura escandalosamente hilária.

Toda a temática familiar trabalhada em diferentes formas e relacionamentos é crível, até mesmo empática, sem precisar ser ostensivamente martelada na cabeça do espectador. Existe uma leveza na maneira de trabalhar o tema, muito graças a diversão que o próprio diretor e os atores insistem em anunciar que tem ao voltaram a seus papéis na produção. A família unida que se vê nas telas transcende para um grupo de profissionais que se entendem fora de tela.

E se o texto de Gunn se destaca na produção, a direção e o design de produção não pecam em nada. A estética vista em Vol.1 se repete aqui, o que não é nem de longe um problema. As cores vivas de uma paleta vibrante, a estética até mesmo brega e os traços caricatos asseguram os contornos pops do longa. As cenas de ação não são gratuitas nem carregadas de cortes excessivos, como muitos filmes de ação contemporâneos fazem, sempre responsáveis por apresentar mais momentos de relacionamento entre os personagens além de mostrar as características de combates distintas de cada um. Ainda, nas 2h17 minutos de projeção há muito tempo e espaço para inúmeros easter eggs do universo cinemático da Marvel, além das mais variadas referências a cultura pop em geral.

Todas as sequências de ação são acompanhadas de músicas selecionadas a dedo, novamente em uma ferramente diegética do filme (na exposição de que os próprios personagens escutam canções quando entram em combate), mas se na aventura inédita dos Guardiões saímos do filme com algumas faixas marcantes, no Vol.2 não há um destaque tão forte quanto “Hooked On a Feeling” ou “Fox On the Run” no primeiro filme.

Ao final, até mesmo depois das desnecessárias e gratuitas 5 cenas pós-créditos, fica a sensação de que Guardiões da Galáxia Vol.2 é tão bom quanto seu antecessor, um fato que alguns podem achar decepcionante mas que, na verdade, é um enorme elogio para uma sequência de um filme muito adorado por público e crítica. Méritos da Marvel, que continua dominando o mercado cinematográfico de adaptações dos quadrinhos com sobra frente as rivais, e principalmente de James Gunn, que ao entregar coração e alma no projeto apresenta uma aventura com a identidade dos Guardiôes: equilibrando comédia e drama da maneira irreverente que precisa ser.

joão dicker

com 22 anos, é formado em Jornalismo pela PUC Minas e trabalha na A Dupla Informação, especializada em assessoria de imprensa e produção de conteúdo em Cultura, Arquitetura, Gastronomia, Design e Criatividade. é o Editor de Conteúdo da ZINT e escreve, majoritariamente, sobre Cinema (sua paixão ao lado de Futebol e Gastronomia).

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