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10 Anos Sem Heath Ledger

10 anos sem Heath Ledger

No auge de sua carreira, aos 28 anos, um trágico acidente tirou a vida de Heath Ledger. Após adoecer durante as filmagens de seu último filme, que exigiam muito de sua disposição física, o ator começou a abusar dos analgésicos, comprando-os inclusive sem prescrição médica. A questão é que ele também fazia uso de remédios para ansiedade e insônia há algum tempo e a mistura desses componentes comprometeu seu sistema respiratório até que este cessasse permanentemente. A autópsia mostrou que não havia qualquer traço de drogas em seu corpo, nem mesmo de álcool. Alguns de seus amigos mais próximos afirmaram que seu grande senso de autocrítica e a dificuldade em lidar com a fama lhe causavam ataques de pânico, mas apesar do boato de suicídio, todos apelaram que Heath era, acima de tudo, um apaixonado pela vida.

 

O início da carreira

Longe de sua casa na Austrália, Ledger tinha pouco mais de 100 dólares em sua conta no banco quando decidiu que não aceitaria mais papéis na televisão, a fim de lutar pelo seu sonho no cinema. E, claramente, sua persistência não foi em vão. Ao todo, Heath integrou o elenco de 15 filmes de Hollywood, em uma profusão de faces que exibiu a versatilidade de sua jovem atuação. Mas, como seria impossível relembrar cada um deles nessa breve homenagem, foram escolhidos cinco personagens vividos por Heath Ledger, para matar a saudade de seu talento e carisma inesquecíveis.


Harry Faversham

O verdadeiro significado de herói e amigo é ensinado pelo personagem de Heath em Honra & Coragem – As Quatro Plumas (2002). Após ser convocado para a guerra, o soldado Harry renuncia sua patente no exército britânico, porém, ao descobrir a quantidade de combatentes que estavam morrendo, ele sente a necessidade de ajudar, e percorre os mais perigosos caminhos para conseguir.

Com ele aprendemos que corajoso não é aquele que nada teme, mas sim o que é capaz de enfrentar seus medos de cabeça erguida. Seu desespero, dor e coragem são emitidos de forma arrebatadora em cada olhar desolado do ator. A verdade de suas lágrimas é marcante e este foi um filme do qual ele participou em 2002, com apenas 22 anos. Uma grande responsabilidade cumprida com excelência.


Ennis del Mar

Uma coisa infeliz é que nós não poderemos ver a beleza de sua expressão“, disse Jake Gyllenhaal em entrevista sobre como foi contracenar com Heath em O Segredo da Montanha Brokeback (2005).  Neste filme, Ledger deu vida a Ennis del Mar, um jovem cowboy, sensível e retraído, que se vê confuso sobre sua sexualidade ao se apaixonar por um outro homem.

Uma das formas de mostrar o quanto o personagem sufocava seus sentimentos, foi o jeito de falar que o ator desenvolveu. Sua voz era rouca, cheia de tensão, e a última barreira de Ennis era sua própria boca, que pouco abria pelo medo de se expor. Um personagem intenso imerso em um enredo complexo, que mostrou de forma real o preconceito vivido por homossexuais em um dos estados mais conservadores dos Estados Unidos. Com essa atuação, Ledger conseguiu sua primeira indicação ao Oscar.


Giacomo Casanova

Em 1999 Heath estreou em Hollywood no filme 10 Coisas que Odeio em Você (1999), no qual deu vida a um marrento e charmoso adolescente, que apesar das atitudes ligeiramente grosseiras, conquista a protagonista do filme com facilidade. Com sua interpretação envolvente, Ledger atraiu o olhar de muitas jovens que ansiavam por vê-lo brevemente em novas tramas românticas. Mas o ator não pretendia ser o mais novo galã de Hollywood. Seus amigos confirmaram em entrevista ao Discovery que ele almejava guiar sua carreira por papéis desafiadores e que costumava negar vários trabalhos para comédias românticas. De qualquer forma, a fim de produzir algo menos exaustivo do que seu último filme, Heath aceitou ser o protagonista de Casanova (2005).

O seu personagem era um típico bom vivant, sedutor e malandro, que se apaixonava por Francesca, uma jovem que o desprezava, mas que não percebe sua aproximação por não conhecer sua aparência. Além de enganar as mulheres que seduzia, usando vários disfarces e estratégias ele consegue passar outras pessoas para trás e conquistar o coração de sua amada. Um enredo óbvio, mas divertido. Dentro de um roteiro que trazia um conto de fadas baseado na história real de Giacomo Casanova, Heath teve muita liberdade para interpretá-lo. Interessante observar que mesmo ao viver um estereótipo do cinema, o ator sempre teve o compromisso de ser verdadeiro em suas atuações e desempenhou um ótimo trabalho.


The Joker

Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) seria claramente mais um filme do herói de Gotham City, mas nada era previsível com Heath Ledger no set. Interpretando o vilão Coringa, o ator não só roubou o brilho, ou quase todas as cenas, mas também a lealdade dos espectadores. Ninguém queria vê-lo derrotado. A expectativa por seus próximos atos era excitante demais. “Foi a coisa mais divertida que eu fiz“, afirmou Heath ao ser questionado sobre o papel e acredito poder afirmar que a maioria de seus fãs vivenciou o mesmo sentimento ao assisti-lo. Além da entrega incondicional do ator, o diretor Cristopher Nolan contou com os improvisos surpreendentes do ator. Nas cenas marcantes da demolição do hospital quando os explosivos parecem parar momentaneamente, e na cena em que o Coringa aplaude o comissário Gordon por sua promoção, nenhuma de suas reações estava no roteiro.

O personagem não estava pronto, a não ser na mente de Ledger, que se isolou por um tempo em seu apartamento para desenvolver cada detalhe da personalidade psicopata, construindo inclusive um diário, onde estariam descritos seus pensamentos e manias. Jack Nicholson pode ter sido marcante à época, mas foi o tipo Coringa engraçado que tinha os truques de um palhaço comum. A obra prima criada por Ledger trouxe a tona uma maldade ainda desconhecida nos quadrinhos, que invadiu a tela e recebeu o reconhecimento da Academia. Mas, infelizmente, o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante foi entregue à sua família, pois na época o ator já havia falecido. Heath não pode desfrutar nem mesmo da reação de seus fãs, que acompanharam a estreia mundial em julho de 2008.


Tony Liar

Em seu último filme, no qual trabalhou até três dias antes de sua morte, Heath interpretou um idealista que, apesar do seu suposto interior benevolente, foi corrompido pelo dinheiro. Envolvido com a construção de seu personagem, Ledger chegou a modificar o texto, escolhendo as falas que diria e adaptando outras ao que acreditava estar mais próximo do perfil do seu Tony Liar. Sua liberdade criativa serviu como incentivo aos atores mais jovens do longa a também criarem suas próprias falas. Graças a Heath, o universo sem limites do filme tornou-se realidade também no set de filmagens, e, para um diretor abrir mão desse tipo de controle, é preciso confiança em quem vai fazê-lo.

Devido à morte de Ledger, o filme foi adiado, e aproveitando o enredo de fantasia e, literalmente, o mundo imaginário que existia dentro do caminhão do Dr. Parnassus, o ator foi substituído por três de seus melhores amigos: Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell. De acordo com o diretor do filme, Terry Gilliam, o ator estava muito empolgado com o andamento das gravações e finalizá-lo foi como cumprir uma promessa. “Um filme de Heath e seus amigos”, é a emotiva frase que aparece ao início dos créditos de O Mundo Imaginário de Dr. Parnassus (2009).


Este ano, no dia 22 de janeiro, completou uma década que o perdemos de forma precoce, mas Heath Ledger se manterá presente enquanto seu talento inspirar às novas gerações de atores, assim como aos mais experientes. Afinal, um legado nunca morre. Ao contrário, persevera e multiplica.


ruth berbert

estudante de Jornalismo, aspirante a atriz, mas minha vocação mesmo é ser amiga. o universo ideal certamente é o Cinema, onde se equilibra na tênue corda que a conecta aos seus sonhos.

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