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Crítica: “Oito Mulheres E Um Segredo”

Crítica: “Oito Mulheres e um Segredo”

O quê acontece quando você reune um time de atrizes talentosas para estrelarem o spin-off de um remake? Você ganha não só a oportunidade de ver nome de pesos contracenando, mas química suficiente para você querer ser adicionado na equipe de assalto encabeçada por Sandra Bullock.

Em Oito Mulheres e Um Segredo, Debbie Ocean (Bullock), com a ajuda de sua parceira, Lou (Cate Blanchett), decide realizar o roubo do século. Fazendo proveito do Met Gala, o evento anual de moda mais exclusivo do mundo, Ocean está decidida a roubar, direto do pescoço de Daphne Kluger (Anne Hathaway), um colar da Cartier estimado em 150 milhões de dólares. Mas para que seu plano se torne realidade, ela precisa montar uma equipe de mulheres talentosas em diferentes áreas do crime.

Oito Mulheres estabelece, logo nos primeiros minutos, que sua fórmula de montagem, ritmo e até mesmo trilha sonora é uma cópia fiel do seu material-pai. Assim como acontece em Onze Homens e Um Segredo (que, vale lembrar, é um remake do filme de mesmo nome estrelado por Frank Sinatra em 1960), o longa trabalha a apresentação de suas personagens de uma forma bem calma e compassada. É assim que somos apresentados à Debbie, em uma cena gêmea de quando Danny Ocean (George Clooney) está sendo entrevistado referente a sua liberdade condicional. Assim como o irmão, Debbie tem uma boa lábia e uma vantajosa capacidade de manipular a situação à seu favor, que vem de forma bem natural e serena quando ela sabe exatamente o que dizer para apaziguar seus entrevistadores, mesmo que já tenha o seu próximo trabalho muito bem bolado.

Já que este não é o tipo de longa que vai trabalhar com reviravoltas mirabolantes e cenas de ação que desafiam as leis da física, todo o sustento da produção está na construção de um humor inteligente estabelecido por punchlines bem localizadas e pontuais, somadas à um carismático elenco que rapidamente engaja e enche a tela de uma deliciosa química. Que Debbie e Lou são parceiras de crime, por exemplo, todo mundo já sabe, mas é através de uma sutileza de flertes e falas bem roteirizadas que fica-se claro que o relacionamento delas se estende para o plano amoroso. Mesmo com idas e vindas e até mesmo Debbie se apaixonando pelo contrabandista de arte Claude Becker (Richard Armitage), Lobbie é para sempre.

A química entre Bullock e Blanchett não serve apenas para coloca-las como melhores amigas, mas também como um casal que acabou de reconectar

Seguindo a mesma linha de desenvolvimento de personagem, é Anne Hathaway que ganha espaço para trabalhar com sua personagem. A amada e conceituada atriz Daphne Kluger é, por trás das câmeras, aquele clichê de garota rica mimada, irritante e cheia de falsa modéstia, sendo o alvo perfeito para ser manipulada a usar o valioso acessório a ser roubado. Mesmo apostando em um estereotipo muito batido no cinema, Hathaway dá à Kluger uma camada bastante divertida e não muito exagerada, divertindo-se no corpo da atriz superficial.

Seguido a ela está Rose Weil, interpretada por Helena Bonham Carter, em um papel que casa perfeitamente com o seu currículo. Weil é uma designer cuja relevância no mundo da moda só se sustenta por sua amizade íntima com ninguém menos que Anna Wintour, Editora-Chefe da Vogue. Sempre no mundo da lua e perdida em sua inocência, Weil é um ponto chave para fazer o plano da certo, uma vez que ela é a escolhida a vestir Kluger para o conceituado Baile.

Com essa barreira ultrapassada, o time recebe as adições de Amita (Mindy Kaling), uma joalheira indiana desesperada para sair da casa da mãe, Tammy (Sarah Paulson), uma dona de casa suburbana cleptomaníaca e ex-parceira-de-negócios de Debbie, Constance (Awkwafina), uma ladra com mãos de veludo, e Nine Ball (Rihanna), uma hacker cuja identidade real é um mistério. Assim, juntas, as sete mulheres estão determinada a realizar o assalto que se desenrola para o público em meio a muito glamour e alta-costura. Não só Debbie e Lou andam muito bem vestidas naturalmente, como a infiltração de Tammy na Vogue dá a oportunidade de cada uma das mulheres, durante o Met Gala, esbanjarem roupas e acessórios belíssimos, individualizando cada uma delas e enfatizando suas respectivas belezas.

Da esquerda para a direita: Debbie, Lou, Tammy, Nine Ball, Rose, Amita e Constance

O filme peca, no entanto, ao sub-utilizar de peças carismáticas. Rihanna, por exemplo, ganha pouco tempo em tela, com falas curtas e espaçadas. Mesmo que a habilidade da cantora para atuar seja constantemente debatida, não é com este filme que a artista tem a oportunidade de provar às pessoas se elas estão certas ou erradas. O lado positivo é que mesmo com o pouco que lhe é dado, o carisma da caribenha irradia a tela e sua participação não passa despercebida. Coisa que, infelizmente, não acontece Kailing. Mesmo com um talento indiscutível para comédia e punchlines em seu script, sua personagem acaba ficando meio esquecida e alheia ao super-grupo.

Contrária a elas, no entanto, está Awkwafina, que ganha um espaço relativamente maior, e prova-se uma divertida adição ao filme. A atriz, que até então só teve pequenos papéis aleatórios, mostra um timing cômico excelente, protagonizando divertidos momentos despojando de uma personalidade digna da mulher estranha e outsider.

E por se passar em um mundo tão glamuroso, o longa ainda traz um pouco de fan-service do mundo pop, com rápidas aparições de figuras como Anna Wintour, Kim Kardashian, Heidi Klum, Serena Williams e Adriana Lima. Também, o filme conta com as participações especial de Carl Reiner, reprisando seu papel de Onze Homens como Saul Bloom, o apresentador e comediante James Corden e a atriz Dakota Fanning.

Na terça, 5, o elenco se reuniu, no tapete vermelho, para a estreia mundial do filme, que aconteceu em Nova Iorque. Da esquerda para a direita: Cate Blanchett, Awkwafina, Sarah Paulson, Anne Hathaway, Sandra Bullock, Mindy Kaling, Helena Bonham Carter e Rihanna

Oito Mulheres e Um Segredo pode não ser nenhum filme revolucionário, mas é sempre muito bem-vindo em um mercado dominado por homens, dando a oportunidade para esse incrível grupo de mulheres se reunirem e mostrarem sua gama de talento, carisma e beleza. Oportunidade esta que deve-se à Sandra Bullock, produtora-executiva do filme, e ao sucesso de Mulher-Maravilha, que de acordo com a própria atriz é o motivo pelo qual a Warner deu o sinal verde para a produção. Agora apenas resta a nós esperarmos para ver que tipo de sucesso o longa vai conseguir (principalmente comercial, uma vez que o de críticas já está bem encaminhado) e se teremos ou não uma nona mulher adicionada às oito de Ocean.

vics

tem 22 anos e é formado em Jornalismo pela PUC Minas. é o Diretor de Arte da revista, sendo o responsável pela criação da identidade visual da zine. ainda, escreve matérias sempre que tem uma boa pauta. ao todo, já assistiu o correspondente a 13 meses em Séries, três meses em Filmes e em 2017 foram dois meses em reprodução de Música.

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