fbpx
"Como Treinar Seu Dragão 3" mostra a maturidade adquirida pelos protagonistas, em uma última aventura de encher os olhos e o coração.

Há nove anos, o mundo conhecia pela primeira vez a animação Como Treinar Seu Dragão (2010), baseada na franquia de livros de Cressida Cowell e dirigida por Chris Sander e Dean Deblois. A película nos apresentava a Soluço (Jay Baruchel), um jovem viking bastante inseguro e atrapalhado, filho de Stoico (Gerard Butler), o líder da aldeia de Berk, conhecido por ser um ótimo matador de dragões. Diferente de seu pai, Soluço está longe de ser um matador de dragões, tanto é que quando tem a oportunidade de matar um Fúria da Noite, a espécie mais temida das criaturas voadoras, ele não só desiste como acaba se tornando amigo do dragão Banguela, mostrando para seu pai e para todos da aldeia de Berk que humanos e dragões podem conviver em paz e harmonia.

Passados 4 anos, em 2014, foi lançada a continuação dessa história: Como Treinar Seu Dragão 2. Neste filme, Soluço e Banguela encontram um paraíso de dragões comandado por Valka (Cate Blanchett), a mãe de Soluço. A possibilidade de ter toda a família unida novamente faz com que o protagonista crie expectativas para o futuro, mas tudo isso é colocado em risco devido o temível Drago Sangue-Bravo (Djimon Hounsou).

https://www.youtube.com/watch?v=P5GAg92efK0

Agora, em janeiro de 2019, essa emocionante franquia chega ao fim com o filme Como Treinar Seu Dragão 3. Dessa vez, Soluço está determinado a ajudar todos os dragões a escapar dos terríveis caçadores. Junto de sua mãe e de seus amigos Astrid (America Ferrera), Perna-de-Peixe (Christopher Mintz-Plasse), Cabeçadura (Justin Rupple), Cabeçaquente (Kristen Wiig) e Melequento (Jonah Hill), eles organizam ataques constantes à grupos de caçadores, para conseguir libertar as criaturas místicas. A cada ataque, Soluço e seus amigos se tornam mais conhecidos, mas os perigos também aumentam. Dessa vez, a grande ameaça é Grimmel (F. Murray Abraham), um dos mais temíveis caçadores, o responsável por exterminar quase todos os Fúrias da Noite do mundo (o único macho sobrevivente da espécie é Banguela). O perigo é tanto que Eret (Kit Harington) orienta Soluço sobre o modus operandi do vilão. Grimmel não é igual aos outros caçadores que já enfrentaram antes, ele é pior e o mais perigoso de todos e não deve ser subestimado.

Em meio à confusão e ao perigo, Banguela conhece um dragão fêmea que desperta seu interesse e atenção. Fúria da Luz, ao contrário do Fúria da Noite, é mais arisca e não deixa os humanos se aproximarem. A presença da personagem mexe com o coração do adorável dragão, colocando em risco o laço existente entre ele e Soluço: ao mesmo tempo em que deseja seguir a amada, Soluço sabe da importância de sua amizade com o o amigo humano. Será que é a hora de deixar Banguela ir embora? Ou o alfa dos dragões deve permanecer ao lado de seu amigo? Esse é um dos principais dilemas abordados em Como Treinar Seu Dragão 3, que traz uma mensagem importante: crescer é importante, assim como as mudanças. O processo pode não ser fácil, com algumas perdas no caminho, mas é necessário.

Desta forma, fica nítida a evolução dos personagens ao longo da franquia, principalmente a de Soluço. Se no primeiro filme ele era bastante inseguro e atrapalhado, sempre causando algum tipo de confusão, neste encerramento da trilogia ele já se porta como o líder de Berk e já está mais confiante, embora ainda cause algumas confusões. Agora, o jovem adulto passa por sua maior provação até então, exigindo ainda mais autoconfiança, maturidade e muito apoio de Astrid.

A película apresenta um visual impecável, uma ótima trilha sonora e um roteiro bem construído e amarrado, de forma que os arcos dos personagens são bem desenvolvidos. Como Treinar Seu Dragão 3 é um filme emocionante, feito para todas as idades (enquanto as crianças se divertem, os adultos conseguem captar a importante mensagem presente ao longo da trama), e que apresenta um final digno para essa trilogia fantástica. Nada mais justo para o encerramento de uma das franquias mais consistentes da DreamWorks. Não é fácil dizer adeus, ainda mais para algo tão querido, contudo, Soluço e Banguela vão continuar vivos no imaginário dos fãs e a amizade dos dois ainda vai inspirar muitas pessoas.

Compartilhe

Twitter
Facebook
WhatsApp
Telegram
LinkedIn
Pocket
relacionados

outras matérias da revista

Ampulheta
João Dicker

Ampulheta / “Crepúsculo dos Deuses” (1950)

Se fosse necessário descrever Crepúsculo dos Deuses (1950), filme clássico de Billy Wilder, diria que se trata de uma história de amor machadiana. Por mais estranho que possa soar - afinal, nunca saberei se Wilder sequer leu Machado de Assis – o longa-metragem dialoga fortemente com Memórias Póstumas de Brás Cubas. O defunto-narrador do escritor brasileiro diz que escreve com “a pena da galhofa e a tinta da melancolia” e Wilder, enquanto cineasta-autor, faz o mesmo – e por consequência o seu narrador morto também – para contar um romance melancólico e sofrido com o próprio cinema. Ter um cadáver
Leia a matéria »
Back To Top