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"Annabelle 2: A Criação do Mal" aborda a origem da boneca maligna em um filme assustador e mais encorpado que seu antecessor.

Depois de um primeiro filme que consolidou a boneca assombrada, Annabelle 2: A Criação do Mal vêm para explicar a origem da boneca e ainda dar mais uns bons sustos. A segunda película da série não é uma continuação e sim uma prequel, que se passa alguns anos antes do anterior. A construção da narrativa é muito inteligente, capaz de gerar um interesse no espectador que, ao terminar o segundo filme, já quer reassistir o primeiro para tentar entender melhor a história – assim como funciona também para quem começar a conhecer a franquia já pelo segundo longa.

Após a morte da filha Annabelle “Bee” (Samara Lee), Samuel (Anthony LaPaglia) e Esther Mullins (Miranda Otto) encontram uma oportunidade de ter a filha de volta. Um suposto espírito da filha começa a dar sinais que está presente na casa e pede permissão para habitar no corpo de uma boneca. O casal estava tão desolado com a perda da criança que não pensa duas vezes e permite que o ser se aposse da boneca. Mullins logo percebem que aquele espírito não era sua Bee, e sim algo demoníaco e que começou a ficar forte e descontrolado. Eles pedem ajuda para a Igreja, que conseguem, temporariamente, controlar a força da boneca.

Doze anos depois, numa tentativa de redenção por terem convidado um ser maligno para o mundo, o casal decide abrir um grupo de órfãs com a ajuda da irmã Charlotte (Stephanie Sigman), a freira responsável por elas. Uma das garotas, Janice (Thalita Bateman), se vê atraída pelo antigo quarto de Bee, que sempre ficava trancado, virando o alvo perfeito para a entidade. É importante ressaltar que Janice era a única criança do grupo com um problema físico, pois foi afetada pelo surto de poliomielite. O espírito não poderia ter feito uma escolha melhor, senão a menina mais fraca para atacar. Todo terror precisa de um pouco de drama, certo?

Annabelle 2, do diretor David F. Sandberg, segue a cartilha do gênero na trama de um filme de terror: uma família que passa por um evento trágico; algum tipo de relação com a religião (nada mais necessário do que uma irmã morando sob o mesmo teto que uma boneca maligna); uma casa bem velha, com direito a tábuas do chão rangendo e portas barulhentas; e diversos momentos em que ninguém acredita nos alertas da única pessoa que percebe a atividade demoníaca.

O filme aposta em alguns sustos bem fortes, com direito a gritos e relances de demônios, mas esses artifícios são usados com cautela. Ainda que a boneca por si só já seja um pouco assustadora, são poucos momentos em que realmente vemos algo assombroso, mas tudo é feito com uma excelente edição para que as entidades malignas sejam bem feitas e apareçam por poucos segundos, de modo que o espectador fica se perguntando se de fato viu alguma coisa.

Diferentemente do primeiro filme, Annabelle 2 tem mais terror psicológico e consegue manter os momentos de susto por mais tempo, evitando momentos muito sangrentos. Mesmo nas cenas sem um terror evidente, você consegue perceber que há de errado no cenário e que, em breve, algo de ruim vai acontecer. Outra diferença foi a construção de um roteiro mais elaborado e amarrado, com cenas que se conectam melhor e que se agrupam para tornar a história mais envolvente.

Além de ter um cenário excelente, o longa tem uma fantástica trilha sonora, apostando numa música relativamente alegre para marcar a presença do demônio. A canção You Are My Sunshine, cantada por Johnny Cash, toca repetidas vezes e, por experiência própria, vai continuar na sua mente como a música de Annabelle. A sensação de escutar essa música assistindo uma atividade maligna me lembrou um pouco a cena de violência sexual em Laranja Mecânica, que é feita ao som de Singin’ in the Rain. Não é um terror para amadores.

Apesar de ter muitos pontos fortes, o filme se perde um pouco na quantidade de atores no nicho principal. Além dos Mullins, as únicas órfãs realmente exploradas são Janice e sua melhor amiga, Linda (Lulu Wilson). A irmã Charlotte não tem muita força e, das outras quatro órfãs, somente Carol (Grace Fulton) e Nancy (Philippa Coulthard) tem alguma participação, enquanto as outras não têm destaque nem em segundo plano. Por serem meninas criadas em um orfanato católico, poderia ter apostado em mais elementos religiosos, pois nem a freira consegue convencer tanto em sua fé.

Contudo, de forma geral, Annabelle 2 é um dos melhores filmes do Universo de Invocação do Mal e consegue cumprir muito bem o que foi proposto: um filme de terror com uma boneca assustadora.

EASTER EGGS
E para quem gosta de easter eggs, há dois bem importantes. No porta retrato da irmã Charlotte, há uma freira bem no cantinho da foto, e é a protagonista de A Freira. Já ao final do filme, quando Janice ganha uma boneca, o brinquedo é uma cópia da “Annabelle original”, que está no museu dos Warren. Uma grande sacada da produção!

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